quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Um balanço da aula 3








0
Competência/performance (apud Chomsky).
Posso não saber fazer mas saber opinar. A minha capacidade de entender um texto é superior à de o produzir.
Um editor tem vantagem quando sabe um pouco de tudo – mas pode não saber e, ainda assim, exercer.

1
O que é um crítico literário? Resposta: alguea que preenche um destes três requisitos: acha que é, faz crítica, exerce poder.
Saramago vs. o Presidente, o Rei e o Grande Escritor. (E a legião de não-leitires que acham que "escreve mal".)
2
Onde deve estar o índice, no fim ou no princípio do livro? proposta de regra: num texto comunicativo, faz sentido o índice estar no princípio. O mapa vem antes da viagem.
Num texto estético, as prioridades são outras. Já não "o que é mais útil?" mas "o que ficará melhor?"
(Daniel: "Pode todavia não ser assim." Sim, pode.)
A chave-mestra é sempre: depende.
3
O comentário à margem (a nota de rodapé, o desvio) pode ser tão interessante como o texto principal. Por vezes até mais. Um pouco como o hipertexto (as relações hipertextuais, sem centro) de que falámos na aula anterior).
Exemplos: o entremez que virou peca autónoma nos séculos XVII-XVIII; Dean Martin encontrando um compère para 'comic relief' (era Jerry Lewis); as personagens secundárias de séries que se autonomizam e viram série própria; Guildestern and Rosencrantz are dead de Tom Stoppard.
4
Depende: das circunstâncias. Como uma gabarolice egomaníaca e insensata vira solidária e sensata: 'eu' ganha qualquer duelo, se for esse 'eu' a determinar quais as regras do duelo.
Sun Tzu diz isto de outra forma em A Arte da Guerra, um livro com mais de dois mil anos.
5
Chip Kidd, da Knopf: como trazer para a capa a essência do livro? (E o ajudar a encontrar leitores.)
As soluções mais incríveis podem ser estupidamente simples.
6
Como colaboram autor e editor? Resposta: se todas as maneiras. O fim é o mesmo: que o texto saia o melhor possível. A intervenção de Gordon Lish é exemplar de um tipo de edição que quase vira co-aitoral.
7
"Eu sou o meu cartão de visita" – o que me custa trabalhar 24h/24 se eu não sinto que esteja a trabalhar?

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