quinta-feira, 28 de março de 2019
"O lado podre da auto-publicação"
Sobre plágio, "book-stuffing" e "clickfarms": um artigo do The Guardian que toca vários dos abusos de sistema actualmente a decorrer na Amazon.
Teoria do soco de Karate - sobre o trabalho final
Desde logo, o 'trabalho final' não é final - e, com sorte, nem sequer é trabalho, é prazer. O luxo é ser pago por aquilo que nos dá prazer - sem apanhar doenças ou ser reprovado socialmente por isso.
A teoria do soco em Karate é simples: o foco do soco não é o ponto A mas um ponto B um palmo para lá do ponto A.
O trabalho final (é a minha sugestão) pode ser isso: em vez de mais um 'trabalho para o prof', ser um artigo para publicar, ou o esboço de uma máquina que eu quero mesmo construir. E este 'eu' é o vosso, não o do responsável da cadeira.
O meu objectivo é continuar a ser pago para dar aulas - o vosso imagino que seja diferente. Ia a dizer «espero que seja diferente» mas, na verdade, não espero. Será para mim muito agradável se o vosso objectivo seja que eu tenha uma vida boa. Embora, pensando bem, possa virar chatice. Haverá quem goste, mas é tão entediante trabalhar com alguém que só quer o nosso bem como com alguém que só quer o nosso mal.
O trabalho tem um formato modelo óbvio: 10-20 páginas, corpo 12, etc. Mas não tem de ser isso.
Agora eu (e agora eu sou eu) lavo daí as minhas mãos, tal como um senhor parece que fez há 2019 anos.
A teoria do soco em Karate é simples: o foco do soco não é o ponto A mas um ponto B um palmo para lá do ponto A.
O trabalho final (é a minha sugestão) pode ser isso: em vez de mais um 'trabalho para o prof', ser um artigo para publicar, ou o esboço de uma máquina que eu quero mesmo construir. E este 'eu' é o vosso, não o do responsável da cadeira.
O meu objectivo é continuar a ser pago para dar aulas - o vosso imagino que seja diferente. Ia a dizer «espero que seja diferente» mas, na verdade, não espero. Será para mim muito agradável se o vosso objectivo seja que eu tenha uma vida boa. Embora, pensando bem, possa virar chatice. Haverá quem goste, mas é tão entediante trabalhar com alguém que só quer o nosso bem como com alguém que só quer o nosso mal.
O trabalho tem um formato modelo óbvio: 10-20 páginas, corpo 12, etc. Mas não tem de ser isso.
Agora eu (e agora eu sou eu) lavo daí as minhas mãos, tal como um senhor parece que fez há 2019 anos.
quarta-feira, 27 de março de 2019
Sobre a aula de hoje
1. Exercícios de edição
1.2. Aventuras do homem-lápis
1.2.1. «Peço desculpa por ler, não tive tempo de preparar um improviso.»
1.2.2. «Peço desculpa por a carta ir tão longa, não tive tempo de a tornar mais breve.»
2. Cada vez que contamos o nosso projecto estamos a editá-lo
2.1. Por isso é bom contar. (Ana Rita, apure melhor a sua «ideia», ainda está informe.)
2.2.Estamos sempre a pesar o texto, a ver-lhe rugosidades, a apuá-lo, a transformar a pedra bruta em pérola, a rocha angulosa em redondo seixo.
. Usar o instrumento adequado. Ler alto pode por vezes ser bem útil. Sobretudo com António Aleixo, o homem do seixo, poeta popular.
3. Endogamia - afinal, é ou não bom ter uma 'empresa familiar'?
Errado. Não aconselho o autor a começar assim (outro galo cantaria se fosse um texto 'provocatório' escrito por um punk rocker):
(Exercício facultativo: ajude o autor a começar melhor.)
Melhorzinho. doura a pílula antes de partir para a guerra. É mais entediante? É. Mas mais conforme com o fito do texto:
1.2. Aventuras do homem-lápis
1.2.1. «Peço desculpa por ler, não tive tempo de preparar um improviso.»
1.2.2. «Peço desculpa por a carta ir tão longa, não tive tempo de a tornar mais breve.»
2. Cada vez que contamos o nosso projecto estamos a editá-lo
2.1. Por isso é bom contar. (Ana Rita, apure melhor a sua «ideia», ainda está informe.)
2.2.Estamos sempre a pesar o texto, a ver-lhe rugosidades, a apuá-lo, a transformar a pedra bruta em pérola, a rocha angulosa em redondo seixo.
. Usar o instrumento adequado. Ler alto pode por vezes ser bem útil. Sobretudo com António Aleixo, o homem do seixo, poeta popular.
3. Endogamia - afinal, é ou não bom ter uma 'empresa familiar'?
Errado. Não aconselho o autor a começar assim (outro galo cantaria se fosse um texto 'provocatório' escrito por um punk rocker):
(Exercício facultativo: ajude o autor a começar melhor.)
Melhorzinho. doura a pílula antes de partir para a guerra. É mais entediante? É. Mas mais conforme com o fito do texto:
(Exercício facultativo: este parágrafo está um bocadinho enrolado. Consegue ajudar?)
quinta-feira, 21 de março de 2019
Sobre a aula de ontem
Três foram as vítimas mas espero que tenha sido útil para todos a discussão.
De todos os trabalhos que já li, há duas noções bem entranhadas:
Um livro que se prevê venda muito/tenha grande impacto pede um tipo de campanha, outro pode até pedir o contrário.
Malala é uma personalidade forte - é um tesouro da humanidade. Por aí convém começar.
Mailbox parece ser um livro adorável e que trata de forma desempenada de problemas sérios de adolescentes. A autora não é uma guru nem uma santa dotada de especial coragem (a Malala, como Mandela, reconhecemos algo que aceitamos se calhar não ter - e repararão que se ontem falei em Dalai Lama na comparação, hoje corrijo para uma que me parece mais certeira, assim se trabalha), antes uma pessoa como nós. (Na verdade - e na minha opinião - estes são os livros mais políticos e «mentirosos»: porque na verdade a autora é tão pouco como-nós como o prof. Marcelo. Afinal é autora de um best-seller traduzido em várias línguas.) A campanha deve ter em conta esses elementos, como a Rita apontou.
O resto é paisagem - acabou por ser o livro que mais tareia levou, mas no bom sentido da palavra tareia: boa quando sou eu a dar, má quando sou eu a levar. Brincadeiras à parte, o livro em que a Inês magnificamente colabora tem alguns problemas que muito nos ajudam: parte de um espaço discreto e podia aproveitar melhor as suas potencialidades. Neste caso, uma campanha mais agressiva pedia-se. E a campanha começa na capa, não por razões estéticas mas por razões comunicacionais. É uma capa que comunica pouco. Ora se fosse um livro de Saramago ou Houellebecq até poderia ser mais discreta, ou na Assírio & Alvim (que grita em nome do poeta que, se foi lá publicado!, o Poeta é BUEDABOM!!!), mas aqui - num gueto onde o autor mais conhecido, o editor, também é pouco conhecido fora - mais ousadia pedia-se.
Quando eu não gosto de alguém sublinho-lhe os defeitos; quando gosto de alguém sublinho-lhe as virtudes. É assim que falo de alguém aos outros.
Mas, quando a equipa é coesa e sabemos que somos Todos do Bem, podemos ser brutos e francos. Mal andaria o mundo se eu choramingasse de cada vez que a minha mulher me chama imbecil, idiota ou diz que não sei onde ponho os pés.
Entrementes, graças ao Daniel aprendi uma coisa: quem é o dirigente do Livre e quem é o dirigente do Chega.
Bom trabalho.
De todos os trabalhos que já li, há duas noções bem entranhadas:
- a campanha deve ser adequada ao livro
- cumprir o princípio da sinergia/interface entre diferentes meios
Um livro que se prevê venda muito/tenha grande impacto pede um tipo de campanha, outro pode até pedir o contrário.
Malala é uma personalidade forte - é um tesouro da humanidade. Por aí convém começar.
Mailbox parece ser um livro adorável e que trata de forma desempenada de problemas sérios de adolescentes. A autora não é uma guru nem uma santa dotada de especial coragem (a Malala, como Mandela, reconhecemos algo que aceitamos se calhar não ter - e repararão que se ontem falei em Dalai Lama na comparação, hoje corrijo para uma que me parece mais certeira, assim se trabalha), antes uma pessoa como nós. (Na verdade - e na minha opinião - estes são os livros mais políticos e «mentirosos»: porque na verdade a autora é tão pouco como-nós como o prof. Marcelo. Afinal é autora de um best-seller traduzido em várias línguas.) A campanha deve ter em conta esses elementos, como a Rita apontou.
O resto é paisagem - acabou por ser o livro que mais tareia levou, mas no bom sentido da palavra tareia: boa quando sou eu a dar, má quando sou eu a levar. Brincadeiras à parte, o livro em que a Inês magnificamente colabora tem alguns problemas que muito nos ajudam: parte de um espaço discreto e podia aproveitar melhor as suas potencialidades. Neste caso, uma campanha mais agressiva pedia-se. E a campanha começa na capa, não por razões estéticas mas por razões comunicacionais. É uma capa que comunica pouco. Ora se fosse um livro de Saramago ou Houellebecq até poderia ser mais discreta, ou na Assírio & Alvim (que grita em nome do poeta que, se foi lá publicado!, o Poeta é BUEDABOM!!!), mas aqui - num gueto onde o autor mais conhecido, o editor, também é pouco conhecido fora - mais ousadia pedia-se.
Quando eu não gosto de alguém sublinho-lhe os defeitos; quando gosto de alguém sublinho-lhe as virtudes. É assim que falo de alguém aos outros.
Mas, quando a equipa é coesa e sabemos que somos Todos do Bem, podemos ser brutos e francos. Mal andaria o mundo se eu choramingasse de cada vez que a minha mulher me chama imbecil, idiota ou diz que não sei onde ponho os pés.
Entrementes, graças ao Daniel aprendi uma coisa: quem é o dirigente do Livre e quem é o dirigente do Chega.
Bom trabalho.
quarta-feira, 20 de março de 2019
Marketing e comunicação
Quais as diferenças? Há diferenças? Interessam, para uma pequena editora, essas diferenças?
A net está cheia (literalmente cheia) de textos a explicar a teoria destas coisas. A teoria é importante: a sua ideia é facilitar a vida, oferecer uma grelha de leitura para quaisquer problemas que possam surgir. Mas atenção: nunca pensar que a grelha é mais importante (ou mais real) que a realidade.
Há mais coisas, Horácio, no céu e na terra, que em toda a tua filosofia.
A análise SWOT ajuda? Ajuda.
Uma boa fonte de estudos, para quem interessar, aqui.
A net está cheia (literalmente cheia) de textos a explicar a teoria destas coisas. A teoria é importante: a sua ideia é facilitar a vida, oferecer uma grelha de leitura para quaisquer problemas que possam surgir. Mas atenção: nunca pensar que a grelha é mais importante (ou mais real) que a realidade.
Há mais coisas, Horácio, no céu e na terra, que em toda a tua filosofia.
A análise SWOT ajuda? Ajuda.
Uma boa fonte de estudos, para quem interessar, aqui.
Como será a indústria do livro em 2025?
Na Feira de Londres, Margot Atwell (Kickstarter) apresentou cinco previsões para a indústria do livro: diversidade, descentralização, aproximação com leitores e uso de dados estão entre as tendências
Notícia completa aqui.
terça-feira, 19 de março de 2019
Como se faz uma campanha de marketing
Já que andamos a falar de campanhas de marketing, achei que seria interessante mostrar-vos um vídeo de um youtuber e criativo publicitário sobre este tema.
quarta-feira, 13 de março de 2019
Plano de Marketing
Achei interessante este site de auxilio à elaboração a um plano de Marketing, por isso, decidi partilhar.
http://mapadajornadadigital.com.br/
Dá para tirarem uma ideia de como fazer o plano ou podem mesmo elaborá-lo através do site.
Exemplo de um plano
http://mapadajornadadigital.com.br/
Dá para tirarem uma ideia de como fazer o plano ou podem mesmo elaborá-lo através do site.
Exemplo de um plano
Um anúncio de trabalho temporário interessante
A não (edições) procura colaboração pontual para a Feira do Livro de Poesia, organizada pela Casa Fernando Pessoa, de 21 a 24 de Março.
Contactar com leitores e vender livros no stand da editora serão as tarefas principais; colaboração remunerada. Este evento será também uma ocasião privilegiada para conhecer melhor o trabalho de vários editores e livreiros.
A presença no stand poderá ser de um ou dois dias, horário a ajustar com cada pessoa.
Mais informações via nao.edicoes@gmail.com
terça-feira, 12 de março de 2019
Auto-edição na 5Livros
Acabei de encontrar um site de uma chancela nova da Mário Brito Publicações, 5Livros, onde é possível um autor publicar o seu livro com a qualidade atribuída a uma edição profissional. Para tal, terá de escolher uma de quatro soluções que abrangem mais ou menos trabalho editorial pago pelo próprio autor. Os valores vão dos 250€ aos 1000€.
Fica aqui um pequeno vídeo de divulgação no YouTube de Mário Brito:
segunda-feira, 11 de março de 2019
O ângulo humano
Ao contrário do que se julga, quem dá as notícias nem sempre é bruto, insensível e «só quer audiências». Simplesmente não sabe muitas vezes como passar mesmo a notícia. há dois caminhos fáceis: opinião, sobretudo se for mecânica (há cronistas que já se indignam em automático) ou reproduzir o telex, dar destaque se for acidente ou visita do rei, capa inteira se for possível gravidez da princesa, e assim por diante.
O difícil, muitas vezes, é encontrar o ângulo humano. «Ângulo humano» que na verdade são dois: a) o lado que apela à humanidade inteira; b) o que apela ao nosso bairrismo.
Por isso, nem sempre critiquemos as notícias que dizem: «Caiu avião com 147 pessoas algures em cascos de rolha. Até ao momento ainda não sabemos se havia portugueses [a.k.a. ângulo humanozinho] a bordo.»
A ONU encontrou ontem um ângulo humano. E a imprensa pôde respirar de alívio, porque não gosta de sentir desumana.
Ler o artigo do DN com o bonito título de «No avião que caiu na Etiópia morreu parte da humanidade» aqui. Quem o fez tem jeito para editor.
quarta-feira, 6 de março de 2019
The Journey of a Book from Concept to Customer
Uma visão interessante da autora Nancy Freund sobre todas as etapas (24 ao todo) de produção e divulgação de um livro sumariamente explicadas:
The Journey of a Book from Concept to Customer…
and the people it meets along the way.
by Nancy Freund
April, 1999
The Journey of a Book from Concept to Customer…
and the people it meets along the way.
by Nancy Freund
April, 1999
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