sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Falas para o cartoon (vou depositá-las aqui a partir de, digamos, domingo)

 Bom dia, já recebi por mail uma das «soluçóes» para o desafio de ontem. Ponderei, e peço que não coloquem aqui no blog - enviem para mim. Eu começarei a colocar aqui nesta entrada a partir de domingo as que me forem chegando. 

O motivo: não sonegar a quem ainda não fez o exercício o privilégio de desfrutar dele. 

Como com um policial de que gostámos: contar o fim não é generosidade, é o oposto. 

Aqui não se trata tanto de dar a resposta certa, apenas de dar espaço para pensar. 

Este exercício (tal como muitos outros estupidamente simples e em forma de jogo) tem benefícios óbvios, para além daqueles que variam consoante a pessoa que somos. Exercita a adequação, o jeitinho para sermos fluidos, moldáveis, adaptáveis. Chip Kidd, na sua palestra, lembrou o que tinha aprendido numa aula de design: nunca mostrar a palavra maçã e uma foto de maçã ao mesmo tempo, porque isso é desrespeitar a inteligência do leitor - «e este merece mais». 

Imaginem que estes bonecos são o livro (o miolo, o texto do autor X) e os vossos balões são a capa  ou a contracapa ou (se formos mais longe) as soluções de edição do próprio texto a propor ao autor, que as aceitará ou não, consoante a relação de trabalho que tiver sido estabelecida. 

Editar é um trabalho que requer forças supostamente contraditórias: ser crítico e ser criativo. Apesar de, no limite, ser sempre mais design que arte, porque a forma está sempre atenta à função.   

P.S.) Agora fiquei na dúvida: «Chip Kidd, na sua palestra, lembrou» ou «Na sua palestra, Chip Kidd lembrou»? 


1. João Sardo Mourão: O Duelo (23/10)

Senhor pronto para a esgrima:  'Vamos já  tratar de pôr tudo no seu lugar!'

Resposta 'Não te dá mais jeito uma caneta?' 


2. Joana Camões Pereira:  Perdido na... Comunicação (26/10)


3. Olavo Rodrigues: S/ título (26/10)

Europeu: Rende-te, índio! És demasiado primitivo para me afrontar!

Índio: "Índio"? Que ricas aulas de Geografia há na tua terra...


4. Francisco M. Rúbio: S/título (26/10)

5. Miguel A. Baptista: O Delírio Português (26/10)

6. Ana Filipa Leite: Halloween e Pocahontas (explicou) (28/10)

7. Catarina Lourenço: Um Presidente Moderno (28/10)

8. Nádia Correia: Os Descobrimentos nos dias de hoje (28/10)

9. Julia Roveri: A Primeira Carteirada Ultramarina (hoje 29/10)





quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Comer um livro

Comer um livro 
Inês Carvalhal
10. O que quero ler/editar?/ 6.3. Onde pára o livro?/ 0.1. O que é editar?

Há cerca de uma semana estava a prepara uma tarte de alho-francês assado, Feta e Dijon enquanto pensava no que tinha para dizer sobre edição. Foi quando barrava o creme de Feta na base para tarte previamente picada, que me apercebi de quanta comunhão cozinha edição/publicação existia na minha vida.

Foi na minha adolescência que comecei um affair descomprometido com as duas: jantares com especiarias novas e fins-de-semana em corte e colagem com fanzines punkitas.   

A primeira revista que tive chamava-se Sheena. Construíamo-la eu e amigos nos intervalos da escola com uma linha editorial no limiar da homeostase. Tivemos um número dedicado à banda-desenhada, os outros só com desenhos, colagens e textos vagamente aleatórios.  Mais tarde ingressei em projectos que apesar de mais estruturados continuavam a carregar um relativo descomprometimento.

Sempre cozinhei e felizmente sempre gostei de me cansar na cozinha. Foi no início da minha vida adulta que este hobbie se revelou o meu maior aliado, ajudando-me a pagar renda e férias não pagas.   

Para lá de quaisquer casualidades, existem, a meu ver, questões processuais bastante similares na construção de um livro e na confecção de uma refeição: podemos seguir um plano editorial rigoroso, com calendários quase inflexíveis, como podemos mergulhar no rigor da cozinha sous vide; podemos fazer cozinha de fusão e publicações ambicionas; podemos entrar num projecto editorial super experimental ou criar a refeição mais surpreendente com os restos que temos no frigorifico; é sabido que sal e gordura são os elementos imprescindíveis para um prato de salivar, tal como a dose certa de suspense e de romance é igualmente saborosa.

Qualquer que seja a fórmula escolhida, o que me continua a fascinar nas duas situações é precisamente a variedade e flexibilidade de escolha que temos quando metemos as mãos na massa para dar algo novo à luz do dia, para mim tendo sempre presente a definição — que apesar não a saber, já a sabia — de punk dada na segunda aula: eu não sei mas faço na mesma.

A imagem, o título, a estupidez e a síntese





 

Cinco capas boas e cinco capas más

  Aqui estão as minhas escolhas para a tarefa desta semana, de onde tentei extrair o máximo possível de críticas, desde a escolha das cores ...