segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Feira gráfica... breve resumo



Ontem, domingo, 28/10, fui visitar a Feira Gráfica e ouvir a conversa editorial "Continuar a Editar".

Compartilho um breve resumo sobre a conversa...

- o valor da editora está em seu catálogo
- dificuldades de publicar poesia: falta de público leitor interessado no gênero
- dificuldades das pequenas editoras: negociação com distribuidores e livreiros, pois devolvem os exemplares não vendidos, muitas vezes avariados, bem como a demora no pagamento. No entanto, o distribuidor/livreiro tem papel importante na cadeia do livro, então a sugestão é que o editor procure e encontre o parceiro certo, com a estrutura certa
- diferenças entre a pequena, a média e a grande editora: a pequena está interessada em transmitir bons conteúdos, com a estratégia de fazer o que se gosta e o que é possível ser feito para se manter ativa; a média quer ser grande e muitas delas entregaram parte do seu catálogo para as grandes; já a grande vive de catálogo recheado de autores renomados

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Balanço da aula 6 (25/10)

O a
1. A lição de Casablanca
1.1. Segundo Eco, o filme tem todos os clichés insuportáveis dos filmes mais kitsch da época. Por que motivo então virou tão cativante? Resposta: porque tem mesmo todos os clichés.
1.2. O volte-face final é surpreendente. Reza a lenda que no argumento original estava que Bogart e Bergman ficavam juntos (afinal, o verdadeiro duo no triângulo são eles) mas que, à última da hora, um produtor sensato disse: «E se desta vez fizéssemos ao contrário?»
1.3. O discurso de Bogart no aeródromo sublinha essa hipótese. É um discurso longo para um filme, verboso, um discurso escrito para salvar a situação. É um monólogo longo, num filme de acção e diálogo. Mas funciona.
1.4. Em colaboração, há sempre ideias lançadas por outros. Mas não é prático dizer «guião de X, excepto as frases Y que foram escritas por Z».
1.5. O bom editor ajuda o texto a ficar melhor, ajuda o livro a melhor chegar ao leitor potencial. E, se foi genial, cala-se para todo o sempre. O livro é da autoria de quem o assina, por mais ajudas que tenha tido.
1.6. E o escritor-fantasma, se fantasma é, fantasma fique. A sua paga é, espero, bom dinheiro, e a consciência tranquila de ter feito um bom trabalho. É feio o editor que anda a dizer à boca fechada que «fui eu que escrevi quase todo o livro do Passos Coelho/Cavaco», etc.

2.  A lição de Schindler
2.1. Nos primeiros minutos d'A Lista de Schindler, vemos um oportunista que nada mais tem que uma mala com dinheiro a fazer a sua jogada. Tem poucas munições (aquela mala) e ainda menos oportunidades. Dirige-se a um restaurante de luxo onde estão oficiais alemães e não poupa despesas, como era apanágio da época: dá sumptuosas gorjetas aos empregados, identifica as hierarquias, escolhe o alvo através do qual chegará ao prémio e, bom predador, aguarda a sua oportunidade. Passadas umas horas, quando o verdadeiro manda-chuva chega e vê todos os seus oficiais em prazenteiro convívio com um civil, franze o sobrolho e pergunta, irritado: «Quem é aquele homem?» Ao que o empregado, que horas antes nunca vira Schindler, responde como se fosse a mais tonta pergunta da noite: «Mas é Herr Schindler, claro! Todo o mundo o conhece e adora!»
2.2. Um agente é isso. Schindler nada sabe fazer: é um preguiçoso, um dandy, um testa-de-ferro, um homem sem qualidades, um trapalhão encantador com uma grande intuição.

3. Ideias simples mas eficazes
3.1. As melhores ideias advêm por vezes da simples observação. Ricardo Araújo Pereira ouviu com atenção aquilo que dois milhões e meio de portugueses também ouviram, só que não registaram. O dinossauro de Chip Kidd (ver aulas anteriores) é ridiculamente simples e 'óbvio'. Só que, tal como a lata de sopa Campbell de Andy Warhol ou, cinquenta anos antes, o urinol ready-made de Marcel Duchamp, éo óbvio que só se torna óbvio depois de alguém ter visto.
3.2. Ainda hoje, perante arte moderna, há pessoas que dizem «O meu filho também era capaz de fazer isto!» A pergunta a colocar é sempre: «Mas fez?»
3.3. Numa contracapa ou numa capa, por vezes menos é mais. Pensando bem, num texto também.
3.4. Gosto muito desta frase, salvo erro de um escritor do século XVIII: «Peço desculpa por a carta ir tão longa, não tive tempo para a fazer mais breve.»
3.5. Em conferências também se usa: «Boa noite, vou ler o meu texto, não tive tempo para preparar um improviso.»
3.6. Vale a pena repetir: Trabalhamos melhor quando não sentimos que estamos a trabalhar, os outros não reparam que estamos a trabalhar ou, no limite, não sabemos sequer que estamos a trabalhar.

4. O contrato do desenhador
4.1. No filme de Peter Greenaway, um artista com talento e grande apetite erótico - ou não fosse libertino do século XVIII - aceita um contrato para fazer doze desenhos em doze dias. Ele aproveita para ter embates amorosos com as várias mulheres da propriedade, sobretudo as esposas dos nobres, que são o contrário dele: fúteis, sem talento, «pouco viris». Ele pensa que os engana a todos mas no fim descobre que ali só havia um enganado: ele. Não só eles sabiam de tudo como tinha sido mesmo para isso que ele fora contratado: não para desenhar, para fecundar. E o que lhes importava? Eles eram nobres, apesar de estéreis pelos excessos de consanguinidade, e ele era apenas um animal. Julgando-se um touro, morreu como um cão.
4.2. Uma das preguiças do mercado editorial é o recurso a pessoas que já são famosas e por isso atraem já a sua própria publicidade. Para autores e editores de livros infantis sérios, é ver a atenção que tem o livro infantil de Sir Paul McCartney, a sair em 2019 ou ainda este ano, em detrimento de escritores e editores mais dedicados. Isto para já não falar do livro infantil de Obama, do livro infantil de Madonna, das receitas da avó de Elton John, do livro infantil da filha do vice-presidente norte-americano, Mike Pence (que até teve uma resposta pela equipa do Last Week Tonight with John Oliver, a polémica é gira).



4. Fazer livros tornou-se mais fácil; promovê-los tornou-se mais difícil.  
4.1. Isto faz com que a promoção hoje ocupe um lugar de destaque na edição de livros. É praticamente o Grande Berbicacho A Resolver. Seria cómico, se não fosse trágico. 
4.2. O paradoxo da proximidade. Um livro é, por definição, um objecto que prescinde o contacto entre autor e leitor. Ao contrário do teatro ou da dança, não é performativo. 
4.3. Errata: não deveria ser. Como vimos nos exemplos na aula, autores e editores estão em permanente estado de promoção. E os autores tornaram-se performers e os festivais não é claro se são promoção ou produto disso.  
4.3. E assim - como a manta tem de ficar curta nalgum lado se o outro a puxa muito - até um simples cartaz de cinema já , como este que (num momento de lazer, só que uma pessoa sai do trabalho mas o trabalho não sai da pessoa) encontrei no Cinemacity Campo Pequeno: 



6. Vimos ainda o calendário ideal do livro e outras boas maneiras da edição

TPC (voluntário):
  • Faça um texto de contracapa para um livro real ou imaginário
  • Escale o percurso de um livro do princípio ao fim
  • Em quantas partes (e em que partes) dividiria a feitura de um livro?

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Um editor queixa-se. Hoje, os livreiros

A editora Maria do Rosário Pedreira (grupo Leya) tem agora crónicas dominicais no DN. Quase sempre, a partir de uma memória pessoa, terminam num desânimo presente e com a ácida frase: «Adeus, futuro.»
Geralmente, estão disponíveis online (há artigos que não estão na íntegra). Aqui fica o deste domingo 21:



 Ao dobrar a esquina de uma rua da infância, havia uma papelaria que desempenhava também as funções de livraria e loja de brinquedos. Era ali que, quando eu estava doente, a minha mãe me comprava umas bonecas de papel com guarda-roupa para recortar (Barbies a duas dimensões) e uns livros com desenhos que ganhavam cores quando se passava um pincel molhado pelas respectivas páginas.
As duas pessoas que atendiam ao balcão estavam tão familiarizadas com a cola Cisne, os guaches Pelikan, o papel Cavalinho e umas borrachas muito ásperas a milhas de cheirarem a morango como com o Ford Anglia em miniatura que faltava na colecção de Dinky Toys do meu irmão ou o escafandro do Action Man que acabara de chegar; e, quando a minha avó, na vizinhança de um aniversário, lhes perguntava por um livro que fosse bom para um rapazinho de 9 anos, também não tinham hesitações em aconselhar um dos volumes daquela colecção de biografias com capa dura que incluía Lincoln, Pasteur, Marie Curie e muitas outras personalidades. Mesmo não se tratando de gente de letras, as pessoas que então vendiam livros sabiam, regra geral, o que estavam a vender.
Já eu era estudante universitária, e de letras, quando tive de responder a um apertado inquérito sobre as minhas leituras numa livraria-galeria das Avenidas Novas para conseguir trazer para casa Comunidade, de Luiz Pacheco. Ao que parece, era o último exemplar que existia na loja, e o livreiro decidira que só o venderia a quem o merecesse (ufa!). Mas essa atenção informada deteriorou-se muito com a industrialização da edição e a substituição das livrarias independentes por hipermercados e cadeias de lojas despersonalizadas.
Hoje em dia, não é assim tão raro termos de soletrar o nome de um autor (mesmo conhecido) para o funcionário da livraria o introduzir no computador e nos dizer se, afinal, tem ou não o livro que procuramos. E a ignorância grassa: um dia destes, mandaram-me procurar Octavio Paz na estante dos autores portugueses (lá soar soa) e há uns tempos, numa livraria do centro da capital, um senhor ao meu lado perguntou à funcionária se tinha alguma coisa de Charles Dickens e a reacção imediata dela foi: "Isso é o quê?"
Ainda apalermado com a pergunta, o cliente lá replicou: "Ó minha senhora, é um clássico." E, diante daquela explicação, a rapariga apontou então uma mesa próxima e disse-lhe: "Procure ali." Não resisti a ver o que havia na mesa: Sófocles, Ovídio, Lucrécio, Platão... Adeus, futuro.

Perfil do autor

O estatuto fiscal é interessante, até porque recuou com os anos da troika: autoria passou a ser aquilo que o fisco queria que fosse, e foram muitos os casos de conflito, não resolvidos por este governo,
A verificação de que em muitas áreas haverá seis a sete vezes mais homens que mulheres. A profissionalização é, no campo do livro, uma questão mais espinhosa.

De momento, ainda não teremos acesso ao documento (ver nota abaixo).


quarta-feira, 24 de outubro de 2018

A bela e o autor? O autor e o monstro? O escrutínio da SPA.

Acabei de ver esta notícia e gostaria que tivéssemos acesso a este documento para que o pudéssemos discutir em aula com o professor: qual a dose de rigor e qual a dose de "mitologia do autor"?
Aguardemos.


terça-feira, 23 de outubro de 2018

Ulmeiro: o fim anunciado

A Ulmeiro - uma livraria mais a fechar. Por que motivo fecham as livrarias?
Haverá só boas razões? Ou só más razões?

domingo, 21 de outubro de 2018

Gonçalo M. Tavares e o livro

Estive a ver no youtube uma palestra muito interessante do Gonçalo M. Tavares em São Paulo, onde ele fala da relação entre literatura e imagem. A palestra pode ser vista na íntegra aqui mas deixo-vos apenas um excerto onde ele fala sobre alguns aspetos curiosos da edição dos seus livros e do valor que o livro, enquanto objeto físico, tem para si.

No próximo fim de semana: FEIRA GRÁFICA

Feira Gráfica – Mercado de Edições

feiras, literatura
27 outubro a 28 outubro 2018
vários horários
Mercado de Santa Clara  (na Feira da Ladra)
Penso que isto será interessante. São sobretudo editores pequenos, alternativos, com pouca capacidade no mercado. (Aliás, são quase um sub-mercado. Tiragens ridículas, casas cujos impulsionadores têm outras fontes de rendimento, quase sempre, ou morrem à fome.) Mas muita inventividade é ali que se encontra. Para mim, ali estão embriões de futuro, como pepitas escondidas na areia.

sábado, 20 de outubro de 2018

Editores e livreiros se posicionam contra o fascismo



Seguindo o dito por Bárbara Bulhosa, o editor deve se manifestar e ajudar a desconstruir discursos.

Diante da atual crise política brasileira, segue notícia a respeito...

https://www.publishnews.com.br/materias/2018/10/17/editores-e-livreiros-se-posicionam-contra-o-fascismo

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Literatura Decorativa: Mal Entendidos

Esta passada terça-feira teve lugar em Barcelona a cerimónia de entrega do Prémio Planeta 2018. Como decoração de centro de mesa foram alugados cerca de 500 livros raros à livraria Maldà... Todos eles tomados como oferta pelos presentes. Não o eram. O que se tratou de um arranjo bonito, original e adequado ao evento - assim como chamativo para a livraria - acabou por se tornar num mal-entendido, a necessitar agora de devolução.

Poderão verificar a notícia aqui.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Aula 5: um balanço

1. Mudança de paradigma na literatura 

1.1. Falai no mal: estreou hoje A Mulher (The Wife), com Glenn Close, cuja sinopse é:

"After nearly forty years of marriage, JOAN and JOE CASTLEMAN (Glenn Close and Jonathan Pryce) are complements. Where Joe is casual, Joan is elegant. Where Joe is vain, Joan is self-effacing. And where Joe enjoys his very public role as Great American Novelist, Joan pours her considerable intellect, grace, charm, and diplomacy into the private role of Great Man's Wife. Joe is about to be awarded the Nobel Prize for his acclaimed and prolific body of work. Joe's literary star has blazed since he and Joan first met in the late 1950. THE WIFE interweaves the story of the couple's youthful passion and ambition with a portrait of a marriage, thirty-plus years later--a lifetime's shared compromises, secrets, betrayals, and mutual love."

O trailer aqui
E a trama é esta: a escritora, se calhar, sempre foi ela...




1.2. Talvez o primeiro prémio literário da era #MeToo?
Há livros em torno do tema e Handman's Tale' é muito influente, quer no filme de há duas décadas quer na série recente, mas Margaret Atwood publicou o livro em 1985. 
Isto tira mérito ao livro de Anna Burns? Não. Lembra-nos uma coisa: os júris reflectem não só os seus gostos como o ar do tempo. E o mercado editorial vai estar atento.

Artigo do The Guardian Aqui. 

2. Uma área humana

2.1. Se tivessem um amigo sensato, ou pensassem um bocadinho, Romeu e Julieta perceberiam que a sua paixão era uma muito má ideia. Qualquer um teria melhores escolhas - ou menos nocivas para a saúde - que o filho da família inimiga. O mesmo para a pessoa que escolhe um casamento arranjado pelos pais ou que, para casar, escolhe uma pessoa de quem gosta (porque tem um grande afecto) em vez de alguém com mais posses, habitando numa melhor parte da cidade, etc. O amor proibido que tantos romances cantam é quase sempre uma má decisão negocial. E no entanto, para as decisões mais importantes, continuamos a tomar decisões irracionais em detrimento de uma ponderação mais fria, objectiva. Quanto maior o poder, maior a irresponsabilidade. E a competência... Há cursos de informática mas não há cursos de primeiro-ministro. 

2.2. O sistema editorial move-se com linhas que, por ser uma área essencialmente humana, em torno de elementos mais subjectivos que objectivos (gosto, interesse, paixão, oportunidade), à falta de melhor poderíamos considerar 'corruptos'. E por que motivo? Porque é virtualmente impossível os critérios baterem certo. Quem escolhe, por que escolhe, com que instrumentos escolhe? 

2.2.1. Como cria um editor o seu catálogo? Como cria um leitor a sua biblioteca pessoal? Porque gostamos de um livro e não de outro? Por que motivo temos por vezes gostos tão diferentes dos nossos amigos?

2.2.2. É também uma área com tendência para a endogamia. A boa notícia: uma vez entrados, nem os nossos inimigos nos deixam cair completamente. A má notícia: não é fácil entrar, 

2.3. Por vezes, trabalhar 24h s/24 ou trabalhar 0h s/24 é praticamente o mesmo. Uma pessoa que trabalha 23h está no pólo oposto a outra que trabalhe só uma hora, mas o 'nada' e o 'sempre' tocam-se como EUA e Rússia no estreito de Bering. 
 

2. 4. Num júri, cruzar os juízos subjectivos de três pessoas é uma forma de minimizar os riscos, de esfriar a escolha. No entanto, a cada vez maior falta de tempo e o cada vez maior número de manuscritos (por exemplo, o prémio Leya teve 340 candidaturas, das quais sete chegaram ao júri) leva a que o mais das vezes nem sequer duas pessoas haja a lerem o mesmo texto. E, por vezes, nem uma, porque o 'leitor-designado' se balda a ler - e não há ninguém com paciência e/ou tempo para o fiscalizar. 

[Bárbara Bulhosa disse, que na sua casa, duas pessoas fazem sempre a revisão de um livro. É um bom método.]  

3. Editing: Mitos enganadores
1) «Os autores não gostam que se lhes mexa nos textos.»
2) «Logo pelas primeiras páginas percebemos se um livro é bom.»
3) «Sabemos que um livro é excelente mesmo antes de termos chegado ao fim.»
4) [Uma variante de 3] «O final é fraquito, mas o romance tem belas páginas.»

4. O editor-sereia
4.1. É muito bom a preparar o livro mas péssimo a vendê-lo
4.2. É muito bom a vendê-lo mas péssimo a escolhê-lo/prepará-lo. 



5. Do declínio da França à Cook Tv
Dinheiro > poder militar > hegemonia cultural (uma teoria)
A ascensão ao poder segundo S. Tony Montana.

Lista de interessados no livro da Cinemateca

Daniel

Ler ficção traz tantas ou mais vantagens que ler não-ficção?

Estive a ler um artigo muito interessante que quero partilhar convosco: "Why Doesn't Ancient Fiction Talk About Feelings?"



Basta clicarem no título para acederem ao link e lerem sobre a exposição das emoções e pensamentos das personagens na literatura (e a sua ausência na época medieval), a inteligência social e a empatia que a leitura de ficção parece aumentar e a confiança que certos autores depositam no leitor, dando-lhe espaço para criar a sua própria interpretação.

Qual é a vossa opinião sobre estes assuntos?

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Aula 5: um balanço antecipado

Ponto prévio: o que aprendemos com a masterclass da editora Bárbara Bulhosa?

Nota: um orador diz o que quer dizer. Era o que faltava dizer tudo. Isto dito, a palestrante foi excelente: franca, pertinente, respondendo com clareza q.b. às questões colocadas.

Uma inverdade: a colaboração entre editor e autor nem sempre é assim.

Ponto 2: três entradas do programa (30 minutos a cada uma?)

3. A casa
3.1. Pequeno grande editor
3.2. Marcar a diferença, conhecer o mercado
3.3. Tradutor, revisor, designer, paginador, marqueteiro
3.4 Ciência, arte, lotaria – racionalidade e irracionalidade

5. O Caso da Ameaça Eletrônica
5.1. Do Bubble Gum ao Bubble Blog
5.2. Novos suportes, velhos importes
5.3. Um romance é igual à Enciclopédia Britânica?
5.4. Admirável mundo novo: ibuques, dibuques, amazonas

6. Da edição amadora à edição profissional
6.1. Autor morto, autor posto
 6.2. O contrato do desenhador  (talvez o ponto mais enigmático)
6.3. Onde pára o livro?
6.4. Os novos marcadores: grandes grupos, escuteiros, marqueteiros

Ponto 4: Exercícios (a responder):

1) Quem decide a capa? E quando o editor é ignorante e o designer é muito bom?

2) Consegue fazer um desenho da estrutura de uma editora?

3) Qual a diferença entre uma grande e uma pequena editora? Ou quais?

4) Quais os critérios para publicar um livro?

5) Como se define o custo de um livro? Os livros são caros?



Sofro de "dermofilia"

(desabafo: o espaçamento exagerado serve para não cansar a vista; ou então sou eu que já não consigo ver nada a esta hora)

      Maio de dois mil e seis. Kevin Kelly, o “senior maverick” da Wired, escrevia para a The New York Times Magazine. O nome dessa famosa peça jornalística? Scan this Book! [sic]. Sim, não sou eu que não consigo esconder o entusiamo; é o próprio Kelly. Qual a identidade desse obscuro objeto de desejo kellyano? Uma gigantesca biblioteca universal de livros, feitos de hiperligações, bytes, enfim, toda uma gigantesca aparelhagem-falo-cibernética mais negra que o desejo feminino (palavras sábias de um checo). Qual a sua morada? O bordel favorito de qualquer pen-drive: a Web!

Certo, perdoem-me a rudeza da verborreia sexual. De uma coisa posso assegurar-vos: só vai piorar. Não, piorar não. Agravar. Suportem um pouco a escolha das palavras e prometo que tudo isto acabará em silêncio. Fim. Pequena morte.

Adiante. Aquilo que me leva a tentar fazer sentido de qualquer coisa que aqui seja dita é uma pequena obsessão literária com um autor italiano: Roberto Calasso, editor e atual dono da Adelphi. Num belo ensaio (esquecido pela tradução portuguesa), L'impronta dell'editore (2013), Calasso detém-se na argumentação dada por Kelly. O que torna “o livro em papel” nesse monstro bolorento que precisa de ser aprisionado nos nossos ecrãs de computador, tablets e smartphones? Kelly descreve o livro como um “objeto inerte”, morto em prateleiras, sem relação com nenhum dos seus contíguos vizinhos, à espera de que um curioso leitor o pegue.

Houve algo na resposta de Calasso que me atravessou o coração: “La copertina è la pelle di quel corpo che è il libro. E questo è un ostacolo grave se si vuole mettere in atto la partouze della biblioteca universale: una partouze interminabile e inarrestabile fra corpi sprovvisti di pelle. È questa forse l’immagine più efficace se si vuole cancellare qualsiasi desiderio erotico.”

Esta ideia de que uma capa é a pele do corpo que é o livro, levou-me ao tapete. De facto, parece existir, nos nossos dias, uma tendência generalizada para a escalpelização de todas as nossas interações, objetos, modos. Foi, ao fazer-me ver a relação entre os cães de Jeff Koons, alguns smartphones e a depilação brasileira, que um filósofo sul-coreano me trouxe para dentro do assunto.

Byung-Chul Han, em A Salvação do Belo (2016) e A Agonia de Eros (2014), traça maravilhosamente a obsessão moderna pelo “liso” e “polido” que levou à hipertrofia dos nossos sentidos. Vivemos de facto numa era de “excesso de positividade”, onde tudo o que nos rodeia nega os “vincos” e “rugas” que se assemelham à nossa pele. Ao invés, a proposta do “belo digital” é a oferta desenfreada de aparelhos lisos (toque no seu smartphone, por exemplo), de uma estética “daquilo que é idêntico”, que recusa a estranheza ou negatividade.

A importância desse espaço negativo (inexistente online), é a velha questão do Outro lacaniano. É nessa alteridade simbólica primitiva que se fundam alguns dos nossos principais problemas axiológicos. Da nossa construção sociocultural.

Consigo imaginar a objeção de Kelly: nesse caso, não será a web o Outro do Outro? Pois, Kelly, penso que tenha feito o trabalho de casa errado. Lacan encontra na rigorosa filosofia matemática de Gödel, a resposta final à sua inquietação: n’y a pas d’Autre de l’Autre.

Entendam-me, pois não quero parecer conservador: sou a favor do progresso científico e nada do que muito foi dito, em discurso pré-apocalíptico, acerca da falência do livro me pareceu razoável. A televisão não fez desaparecer a rádio, o CD não fez desaparecer o vinyl, a Bimby não fez desaparecer os cozinhados da minha mãe. Do mesmo modo, penso que as publicações online não farão desaparecer o livro.

Há algo de podre no Reino da Cibernética, mas não se trata da evolução científica. Trata-se, sim, da forma como os fundamentalistas do progresso comunicam; como os apáticos consumidores o recebem. O mundo de total transparência, onde tudo o que digo, penso, escrevo, vejo, cheiro, sinto, possa ser publicado online, sem filtro, barreira, pele, não é um mundo mais democrático, mas sim uma pantanosa anarquia. Tem de existir um medium velado entre eu e aquele que se senta ao meu lado no metro. Caso contrário, aquilo que me impede de perguntar “Qual o seu nome?”, transforma-se em “Boa tarde, vi que gosta de frequentar a Praia dos Pescadores e colocar bronzeador nos dias de maior calor. Sei quais os seus hábitos domésticos e as suas preferências mais intimas e, ainda que não tenha mais nada a conhecer, poderia beber um café comigo um dia destes?”.

A argumentação de Kelly, que pretende fazer-nos acreditar num mundo facilitado onde “estudantes no Mali, cientistas no Cazaquistão, idosos no Peru” possam usufruir dos inesgotáveis benefícios do mundo online, esquece, simultaneamente atraiçoando-se, que, em muitas zonas do mundo, o próprio livro impresso é um objeto raro, exótico.

O segundo atraiçoamento de Kelly é quando este pretende ligar o esforço da Google em scanear milhões de livros aos ideiais iluministas do séc.XVIII. Pois bem, aquilo que distingue os anseios de alguns místicos medievais e progressos do Século das Luzes dos desejos de Kelly, é que os primeiros pretendiam o conhecimento partilhado e o seu livre acesso (patente, obviamente, também nas tentativas de compilar os principais temas de todas as áreas do saber- atlas e enciclopédias, aquilo a que poderíamos chamar liber mundi); ao passo que, a rede interminável de links, anotações, comentários, vídeos e músicas de Kelly, corresponde àquilo a que poderíamos chamar liber libri, ou seja, o livro dos livros, o livro que contém todos os livros, incluindo livros sobre livros, mas também as suas imagens, referências auditivas, vocês já entenderam…

Esta segunda hipótese, para além de megalómana, está fadada ao desespero e falência. Mais, o resultado desta tarefa foi-nos dado a ver num belíssimo conto de Borges: depois de percebermos que toda a informação alguma vez produzida e toda aquela que ainda está por produzir, é simplesmente impossível de abarcar, perceberemos, por fim, que esse liber libri é o próprio mundo e as suas inerentes ligações.

Nesse sentido, reclamo para qualquer leitor sério (e não só leitores, como tentei explicar) essa necessidade “dermofílica”, de amor à pele, ao toque e, simultaneamente, àquilo que está encoberto, escondido, nesse jogo libidinoso do velar-revelar, recusar-atrair. Reparem na evolução do gesto da mão da Vénus Adormecida de Giorgione (puro esquecimento, letargia do sono), à Vénus de Urbino de Tiziano (provocação que se sabe não ser satisfeita), parando em Olympia de Manet (cancelamento, alteridade) e notem, nesse último pormenor do pintor francês, o epítome de todo o desejo. Mas essa é toda uma nova história; fica o apontamento: Daniel Arasse, Não Se Vê Nada (2015).

Última tentativa. Não sei se consigo confiar apenas nas minhas palavras. Eis o nó-górdio, eis o risco: “Antes como depois, na nossa civilização, continuamos a encarar a sexualidade através de um visor que começa por ser pornográfico- como se houvesse ainda alguma coisa a espiar, a pôr a nu e a condenar por atentado à moral. A nudez torna-se o símbolo do bem supremo. Os nossos mundos de imagens fervilham de corpos nus que constroem envolvências de charme florescentes para o voyeurismo e a volúpia cerebral da sociedade capitalista do desejo. A nudez longínqua, mas já visível, continua a ser a encarnação do que é verdadeiramente desejável num mundo em que temos «contactos» sem nos tocarmos. Como a sociedade mercantil só pode funcionar com base numa desencarnação, os seus membros são consumidos por uma sede de imagens de corpos, incluindo a imagem do próprio corpo. Muitas vezes temos a impressão de que as imagens já andam entre si à procura de grupos marginais e em certas fracções da intelligentsia vive ainda um tipo de seres humanos que tem conhecimento da sua diferença relativamente às imagens- conhecimento que muitas vezes se paga com um humores, depressões e neuroses do tipo «quem-sou-eu?».” (Peter Sloterdijk, A Crítica da Razão Cínica. 2011).

Vénus Adormecida, Giorgione.

Vénus de Urbino, Tiziano.

Olympia, Manet.




Shakespeare and Company - Uma livraria construída como um romance


Aceitando o "tpc voluntário" sugerido pelo professor para esta semana, deixo-vos aqui parte de um texto que escrevi há uns tempos sobre uma das minhas livrarias preferidas.


QUILÓMETRO ZERO, PARIS

Fica no chamado "Quilómetro Zero" de Paris, o ponto de partida de todas as estradas da cidade e é uma livraria independente de língua inglesa. Tanto a fachada como o interior estão repletos de citações de escritores famosos e pequenos detalhes - como um poço de moedas que pede generosamente: "Feed the starving writers" (Alimentem os escritores esfomeados) - que compõem o sonho de livraria de qualquer bookworm. Há um gato e um cão, poemas à venda por 2€, cantos onde nos podemos sentar em frente de uma máquina de escrever ou de um bloco de notas, e sofás para  nos sentarmos a ler o tempo que entendermos. A janela do piso superior tem vista para a Catedral de Notre-Dame e o piano (eternamente desafinado) da loja convida qualquer pessoa a encher de música as salas repletas de estantes.

(...)

Basta visitar a livraria para perceber que é, claramente, obra de um sonhador e amante de livros irremediável. Mas vale a pena conhecer melhor a história desse sonhador que foi George Whitman. George nasceu nos EUA (Salem, Massachussets) em 1913, no seio de uma família de classe média e o seu desejo de conhecer o mundo, aliado ao gosto pela escrita levaram-no a licenciar-se em Jornalismo pela Universidade de Boston. Pouco tempo depois, foi-lhe oferecido um emprego como repórter assistente mas, desde cedo, soube que um emprego das 9 às 17h não era o que lhe iria trazer a felicidade e a sabedoria que buscava. 

Recusou a oportunidade e decidiu ir viajar pelo mundo - viajou pelos EUA, foi até ao México e conheceu grande parte da América Central -, ficou em casa de desconhecidos, pedinchou quando o dinheiro se acabou e dormiu algumas noites ao relento, passando até por algumas situações potencialmente perigosas ... Mas, durante todo esse tempo, fez o que mais gozo lhe deu durante toda a sua vida - conheceu pessoas novas, escreveu sobre as suas próprias vivências e as que lhe foram relatadas, parou, frequentemente, em bibliotecas, leu todos os dias ... Lentamente, foi coleccionando uma quantia considerável de livros. Chegou a Paris em 1946, seduzido pelos nomes sonantes da literatura que tinham encontrado inspiração nas suas ruas e, rapidamente, tornou-se claro para si que se iria assentar  e concretizar o seu sonho de ter uma livraria em algum lado, teria que ser em Paris.

UMA LIVRARIA CONSTRUÍDA COMO UM ROMANCE 

Sobre a Shakespeare and Company, George começa por dizer que a construiu da mesma forma que um escritor cria um romance, pensando cada divisão como se fosse um capítulo e com o desejo que cada pessoa que abrisse as portas da livraria o fizesse como quem abre um livro, «um livro que os conduz a um lugar mágico na sua imaginação». 

Tendo-se tornado conhecida por ter cópias raras de livros e até alguns que eram proibidos noutros países, a livraria atraiu a atenção de muitos escritores e artistas conhecidos, alguns dos quais eram visitantes regulares. Destes fazem parte nomes sonantes como os de Ernest Hemingway, Gertrude Stein, Scott Fitzgerald, T.S. Elliot, e os Beats Allen Ginsberg e Gregory Corso; outros grandes nomes da literatura como Henry Miller, Anaïs Nin, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir; até Plano Neruda, Jorge Luis Borges e Roland Barthes ... Por lá passaram realizadores de cinema como François Truffaut, Stanley Kubrick e Darren Arronofsky, mais recentemente; artistas como Max Ernst e atores desde Geoffrey Rush a Ethan Hwake, que filmou lá a sequela de Before Sunrise na companhia de Julie Delpy. Na década de 50, escritores afro-americanos como James Baldwin refugiaram-se em Paris para escapar ao racismo nos EUA e encontraram em Shakespeare and Company uma "casa longe de casa" ... 

A "UTOPIA SOCIALISTA MASCARADA DE LIVRARIA" 

À personalidade algo excêntrica de George, junta-se a sua verdadeira aversão ao capitalismo que fez com que parte da livraria tenha funcionado, inicialmente, como biblioteca, e os bancos de leitura, até ao dia de hoje, se transformam em camas durante a noite para qualquer artista ou escritor que procure um sítio para passar a noite. Desde a sua abertura, George acolheu na livraria mais de 30,000 visitantes (a quem ele chamou de "Tumbleweeds", como referência às plantas secas que rolam no deserto). As únicas coisas que ele pedia em troca era que ajudassem na loja por umas horas, escrevessem uma autobiografia de uma página e que lessem um livro por dia ... 

Para além de uma livraria, uma biblioteca e um hotel, a Shakespeare and Company era, para George, como uma escola. Primeiro, porque as estantes (e muitas vezes, o próprio interior da livraria) estavam repletas de verdadeiros mestres e, depois pelas iniciativas que, desde sempre, ele procurou cultivar no seu interior: sessões de leitura, conferências, debates, banquetes que juntavam personalidades distintas da literatura e das artes em momentos de convívio ... Foi assim que a livraria ganhou também a designação de Free University of Paris.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Carson McCullers e outros eventos

OUT17

Dia Carson Mccullers no Livraria à Noite

Público
 · Evento criado por Snob e 2 outras pessoas



sábado, 13 de outubro de 2018

A perversa inversão moral: bibliotecas que pedem apoio

A Cotovia foi, durante cerca de vinte anos, a principal trazedora para Portugal de excelentes autores brasileiros contemporâneos, entre os quais o Prémio Camões 2016 Raduan Nassar.  Tem também excelentes colecções de clássicos, ensaios, teatro. Nos países nórdicos, a rede de bibliotecas públicas apoia a edição de uma forma simples e eficaz: comprando livros.
(Já agora, é também assim que amigos apoiam os amigos editores e autores: comprando livros, em vez de esperarem borlas.)
Em Portugal, em parte mercê da crise, em parte da cultura (questão ver, se houver interessados - o que queremos dizer com isto?), há uma curiosa inversão.
Em baixo, um desabafo no FB da responsável pela Cotovia, fundada por André Fernandes Jorge:


Fernanda Mira Barros
BIBLIOTECAS e Direcções Gerais
Com frequência recebo emails de bibliotecas escolares e municipais pedindo doação de livros. Dantes, ingénua, respondia explicando que a nossa profissão não tem como objectivo final doar, mas que lhes venderíamos os livros com um desconto brutal sobre o PVP.
Agora já nem respondo.
Recentemente, pedi uma reunião à DGLAB (Direcção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas) para lhes propor que, como é da sua vocação, apoiassem a Livros Cotovia tratando do envio-- e tão só do envio -- de pacotes pequenos de livros para as bibliotecas portuguesas. Livros bons, não datados, cuidados, livros da Cotovia. Nessa reunião, disseram que levariam a proposta à Administração e responderiam no dia seguinte, o mais tardar.
O dia seguinte tardou até ontem -- durou um mês e 4 dias --, e estou convicta de que só tardou esse tanto porque entretanto lhes enviei mais 2 emails pedindo urgência na resposta.
A resposta a esse meu segundo email veio nestes termos:"Ah, desculpe, ainda não teve resposta por minha culpa, porque o Dr. X realmente já me pediu o seu número de telefone e eu esqueci-me de lho dar."
Quem assim respondeu foi uma Directora de Serviço. A mesma que, um mês e uns dia antes, pediu para adiar a data, por ela escolhida, para uma reunião porque essa data era uma segunda-feira e "eu nesse fim-de-semana vou com a minha mãe para fora e dá-me mais jeito só voltar na segunda-feira a Lisboa, Portanto, queria passar a nossa reunião para a quinta-feira seguinte, pode ser?"
Eu disse que podia ser.
Há 303 bibliotecas públicas em Portugal.
Custaram milhões de euros dos contribuintes e da União Europeia, são equipamentos relativamente recentes e bons.
As bibliotecas não compram livros desde 2007, ao que sei. Não têm verbas, estão dependentes das Câmaras Municipais.
Quando uma casa editora (por acaso, boa) quer oferecer -- OFERECER -- livros às bibliotecas e pede apoio a uma instituição que existe para defender o Livro e as Bibliotecas, depara com esta incompetência. E esta grosseria.
E cheira-me que, em todo este processo, a única pessoa que ia morrendo de vergonha fui eu.

Cinco capas boas e cinco capas más

  Aqui estão as minhas escolhas para a tarefa desta semana, de onde tentei extrair o máximo possível de críticas, desde a escolha das cores ...