sábado, 29 de dezembro de 2018

O Samizdat

O Samizdat é em parte uma versão moderna do trabalho dos monges leitores-comentadores nos mosteiros antes de Gutemberg.
E também uma coisa nova: fruto de circunstâncias anomalas, pedindo um tipo de invenção no modo de editar/publicar livros.

Embora por motivos muito diferentes, e um primo afastado da cartonera.
Mais aqui.

Como é a edição e produção de um livro?



Olá, pessoal!

Acho que vale a pena compartilhar uma reportagem sobre produção de livro. Na íntegra, aqui.

FELIZ 2019!!!

domingo, 23 de dezembro de 2018

Descontos mágicos

Para livros saídos ha nem um mês. «Como é possível?» Tecnicamente é facil: basta o ponto de venda reduzir a sua margem de lucro. Mas e pouco leal para quem tem menos poder. Ate que um dia vem um tubarão maior e o grande, virado pequeno, chora contra a 'concorrência desleal'. E, já agora, deslegal.


terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Masterclass João Concha - resumo e impressões

A masterclass da semana passada com João Conha da (não)edições foi bem interessante e, para mim, inspiradora. É sempre bom ver gente que, em tempos de crise, consegue desenvolver um projeto editorial de nicho tão bem pensado e executado, do conceito ao produto final. Parece-me que há duas palavras-chave na (não)edições: paixão e planejamento.

Para quem não estava,  aqui está um breve resumo do que o João Concha compartilhou:

1. Sobre a (não) edições

  • a (não)edições nasceu do desejo de ter um projeto editorial para publicar poesia de autores que João aprecia (muitas vezes o primeiro livro dessas pessoas), contrariando a ideia tão difundida de que "poesia não vende". O projeto surgiu após editar por algum tempo a revista Inútil, que unia poesia, ilustração e fotografia e que não foi à frente por motivos financeiros (os custos de impressão foram um dos motivos para inviabilizar o projeto).
  • O "não" contido no nome da editora expressa, em grande parte, o conceito que há por trás do projeto: desejo de negar/fugir:
    • dos modelos editoriais padrão
    • da ideia de que poesia não vende ("posso até não ganhar dinheiro com a editora, mas a poesia vai vender!")
    • de que um livro simples/barato é necessariamente feio
    • de que um livro de poesia é sempre um livro de poemas (alargar a visão sobre o que é poesia)
  • A (não)edições nasce e se concretiza a partir desse desejo de questionar/subverter alguns conceitos preestabelecidos.
  • desde o início, João tomou como pressuposto o fato de que a (não)edições não iria ser um projeto a partir do qual ele poderia tirar o sustento.  Por isso, teve sempre um plano B para sua sobrevivência financeira. Com isso, já que a editora não seria o ganha-pão de João, o sucesso dos livros não teria necessariamente que estar atrelado às vendas. Bastava, portanto, que cada livro não nesse prejuízo.
  •  A parte gráfica muito bem pensada e executada é um dos motivos de sucesso dos livros da (não)edições. Desde o início, com as boas vendas das primeiras edições, ficou claro que, se as pessoas estavam a comprar livros de poesia de autores não-conhecidos, significava que alguma coisa no livro como objeto estava a atrair estas pessoas. 
  • Ainda sobre isso, João enfatiza que um "objeto que se quer diferente" deve ser bem cuidado no que tange à parte gráfica.
  • A ilustração ajuda a valorizar o livro como objeto cultural. Por isso, procura sempre trabalhar com ilustradores que conhece e gosta, muitas vezes ilustradores novos.
  • A (não)edições trabalha com coleções (colecão 32, coleção mutatis mutandis, etc), nas quais os livros são agrupados por temas e/ou projeto gráfico (a coleção 32, por exemplo, traz livros de 32 páginas, agrafados, não caros, de poesia.
  • Faz questão de que cada livro da (não)edições, mesmo isoladamente, consiga ilustrar muito bem qual é a ideia/conceito da editora. Coerência com o projeto editorial.


2. Sobre temas gerais ligados à edição

  • O mercado de livros em Portugal é mínimo e tudo tem a ver com dinheiro.
  • Há espaço para conceber projetos editoriais de raiz, apesar das dificuldades. A paixão pelos livros é essencial para isso.
  • Há muitas formas de começar uma editora. Seja como for, é sempre importantíssimo ter uma ideia muito clara do que se quer.
  • A formação cultural e as leituras são o principal capital de um editor. São elas que vão ajudar a responder à pergunta essencial: que livros eu quero partilhar com os outros?
  • A poesia vende para um nicho de pessoas.
  • As livrarias são parceiros essenciais (especialmente para livros em que a parte gráfica/física pesa, como os da não(edições) ), embora haja cada vez mais espaços/lugares onde os livros podem ser vendidos (outros tipos de parcerias).
  • Editoras independentes tem entre suas dificuldades a distribuição, por isso têm de pensar bem onde podem de facto vender. 
  • Editar é preparar o texto, e isso tem a ver com escolhas. É preciso muitas vezes dizer "não": aos autores que querem o texto de um determinado jeito (mesmo quando o editor acha que o texto não está pronto, ainda) , às livrarias que querem ganhar mais nas negociações, aos ilustradores, etc. 
  • Todos os "nãos" eventualmente dados tem que ser em prol de manter a linha editorial. O não-desvio da linha editorial é essencial para o projeto ser sustentável.
  • TEMPO é essencial para editar com qualidade.


sábado, 15 de dezembro de 2018

Masterclass de João Concha & etc.

Não sei como foi. Ele perguntou-me se gostaram. Ele gostou mas sabe, como bom editor, que «quem come a sopa é que sabe se ela está boa».
Se alguém quiser ter a gentileza de fazer um resumo agradecemos. 

E se quiserem façam uma lista de compras - questões por responder e que gostariam de ver melhor respondidas - para a próxima aula, que não é a última do semestre mas é a última do ano.

Entrementes, fui da 2ª maior feira do livro (Guadalajara, México) do mundo para um país sem livrarias, São Tomé. Mas com escritores, alguns bons. E o que repeti foi sempre: «as vossas histórias têm de ser escritas por vós. Seja para crianças ou adultos.»
«E publicar? Cá é muito difícil publicar...»
«Isso é outra história.»
«E quem vai ler?»
«Isso também é outra história. Primeiro escrevam os textos e os livros, depois vemos como os produzimos e fazemos chegar às pessoas.»

É uma boa questão: como publicar num país sem leitores?
Que logo pode ser (eu gabo-me de ser rápido) parcialmente respondida:
«Há que separar leitores de compradores. Leitores o país tem. Pode é não ter gente em número suficiente com hábito de (ou poder para) comprar livros.»
Se separarmos as águas, o problema fica logo menos bicudo. E isto vale para muita coisa: porque a partir do momento em que identificamos as componentes de uma equação, ela fica logo mais fácil de resolver.
Há muitos anos que digo que não andamos de drone ou mochila voadora na cidade por motívos políticos (política de trânsito: haveria sempre gente a cair) mais do que por real impedimento técnico.
E agora aí estão, de repente, trotinetes encostadas por todo o lado e bicicletas da câmara. E a cidade das sete colinas passa a ser ciclável (afinal era só uma forma de ver, havia outras), afinal o carro não tem de ser sempre o rei da selva. Nem precisa de ser selva, a lei do mais forte, pode ser um jardim onde todos são bem-vindos.

O editor que antes pisava os outros é hoje um modesto editor independente. (O caso de Nelson de Matos, em tempos editor da poderosa D. Quixote.)
O blogger alternativo hoje tem o poder e é quem está nos media mainstream: o político Rui Tavares, o crítico Pedro Mexia, o comentador Daniel Oliveira, o humorista Ricardo Araújo Pereira. Tomaram o poder e o centro.
Em contrapartida, Yvette Centeno (dos anos 60 aos 90 grande escritora, professora, poeta, ensaísta, hoje escreve no Facebook e publica em pequenas editoras que pouco vendem. O mesmo para Francisco Bélard, que foi editor do Expresso, etc.
O mundo dá voltas, como o pneu de um carro. Se uma pessoa está sempre em cima ou sempre em baixo, é provável que o carro esteja parado. Ou ela esteja morta. 



terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Quinta 13

Masterclass com João Concha, editor das não edições e designer.

Suponho que desta será de vez.

Aqui uma entrevista. 

Eça e os Maias (Fundação Calouste Gulbenkian)

Com a ajuda da Fundação Eça de Queiroz, a Fundação Calouste Gulbenkian organizou uma exposição sobre o autor e o seu grande romance de Eça, Os Maias. Episódios da Vida Romântica, que já estava pronto em 1881, mas só foi publicado em 1888. A exposição também conta com informação sobre outras obras de Eça.

130 anos depois da publicação d'Os Maias, e pela primeira vez em Lisboa, estarão disponíveis, na Fundação Calouste Gulbenkian, peças do espólio pessoal do escritor, bem como fotografias, pinturas, esculturas, música e filmes relacionadas com a obra queirosiana. Estarão lá presentes, ainda, cartas e crónicas.

Edição traduzida do romance Os Maias.

Eça e Os Maias foi inaugurada no dia 30 de novembro e permanecerá na Gulbenkian até ao dia 18 de fevereiro de 2019.


Para mais informações, basta clicar aqui.



Daniela Sampaio

sábado, 8 de dezembro de 2018

Tomi Adeyemi, Nora Roberts, e etc


À semelhança do exemplo falado na aula anterior, também no meio literário norte-americano eclodiu recentemente uma discussão iniciada pelo acuso – em rede social – de plágio de um título. A acusação partiu de Tomi Adeyemi (que tem sido a grande revelação da literária fantástica, com “Children of Blood and Bone”) a Nora Roberts, em relação ao seu título “Of Blood and Bone”. O contexto teve o necessário para levar o tweet de Tomi Adeyemi a maiores proporções: o que parece ter sido um erro precipitado e impensado de uma autora jovem cresceu em notícia e discussões não apenas pela grande fama da acusada e pelo peso da acusadora na literatura PoC norte-americana, mas também pelas acções de perseguição levadas a cabo pelos fãs de Adeyemi, e pelas incongruências da acusação: o público-alvo das autoras ser muito distinto; o carácter geral das palavras utilizadas no título, que inclusive já foram usadas várias vezes anteriormente em outras obras; a proximidade das publicações que, atendendo ao tempo necessário ao processo de publicação, torna provável que o título de Roberts já estivesse determinado quando o de Adeyemi foi publicado.  Às discussões que pipocaram nas redes sociais foram ainda consideradas as dificuldades de mercado e publicação para os autores não-caucasianos, que se pressupôs terem também contribuído para o estado de espírito de Adeyemi quando escrever o tweet acusatório. Foi pela mesma rede social que apresentar mais tarde o seu pedido de desculpas. Nora Roberta não deixou, contudo, de se expressar pelas suas próprias palavras.

Para descontrair, e demonstrando que se pode fingir ser-se escritor em qualquer lado, seguem algumas dicas sobre como o fazer num café. O bónus é que nem se precisa de escrever.

Por fim, e para quem tem acompanhado a situação no Brasil, duas das maiores redes livreiras – a Cultura e a Saraiva – abriram falência. Evandro Martins Fontes é editor e livreiro, e a sua entrevista em relação ao assunto pareceu-me de interesse, pois aborda a questão numa perspectiva “grandes livrarias vs pequenas livrarias”.

PS: Afinal não era “por fim”: ainda no Brasil, Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que obriga a que quando o consumidor adquira um livro físico, lhe seja facultado a versão digital (nos casos em que esta exista). Como medida para proteger o livro físico parece-me bastante fraco, além das grandes probabilidades do aumento de pirataria, e de não respeitar o facto de serem dois formatos distintos.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Raia - Tráfico de Edições e Afins




Descobri que nos dias 15 e 16 de dezembro irá decorrer a Raia - Tráfico de Edições e Afins, que se trata de uma feira de edições, artes gráficas e música, estando também programados lançamentos, exposições, entre outros. Parece-me que se enquadra bastante no âmbito da nossa cadeira e poderá ser interessante para quem tiver a possibilidade de comparecer. Este evento terá lugar no espaço da Associação Anjos 70 e poderão obter mais informações acerca do mesmo aqui.

Como podem os autores angolanos ter sucesso internacionalmente?

Ao ler uns artigos para um trabalho que estou a fazer para uma outra disciplina, deparei-me com esta publicação muito interessante sobre duas opiniões diferentes relativamente ao modo como os autores angolanos podem encontrar o seu lugar no mercado editorial de outros países.

Por um lado, temos o editor português Zeferino Coelho (conhecido por, por exemplo, ter sido o editor de José Saramago). Ele acredita que, uma vez publicado em Portugal, o autor angolano poderá ter hipóteses de ver o seu livro à venda noutros países. Por outro lado, temos o escritor angolano Pepetela, que tem uma opinião relacionada com o que foi discutido em muitas aulas de Teoria da Edição.

Para saberem qual é a resposta do autor, podem clicar aqui.


Daniela Sampaio

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

4 livros para falar e escrever sem erros

Acabei de ler um pequeno artigo sobre 4 livros que ajudam a compreender quais os erros de português que cometemos, muitas vezes sem nos apercebermos. Basta clicar aqui para aceder.

Alguém conhece mais bons livros do género?

A Febre Ferrante

Para quem, como eu, foi arrebatada (o) pela literatura da Elena Ferrante, eis uma dica. "A Febre Ferrante", em cartaz no Cinema Ideal (não sei se está em outros sítios). Documentário curto e interessante sobre a obra da autora, que virou uma febre nos últimos anos. Editores, autores, leitores, a tradutora para os EUA e outras pessoas falam sobre a obra e sobre a questão do anonimato da sra. Ferrante.

Para quem não conhece, é uma incrível escritora italiana cuja identidade é desconhecida, não por jogada de marketing (assim creio; há elegância e coerência demais na atitude dela para ser isso), mas por uma visão dela de que o que importa é a obra, não o autor. Ferrante diz que basta que sua obra seja lida - e pronto. Publicou pela primeira vez em 1992 e desde então tem se mantido anônima.

É um caso interessantíssimo nos dias de hoje, em que, para ser sucesso comercial, o autor (ou qualquer profissional...) tem de ser praticamente uma estrela das redes sociais, dos eventos, das feiras, entender de marketing e ser um produto ele mesmo.

Ferrante é colossal na construção de personagens, descrição de mundos emocionais e contextos sociais, tudo junto e misturado, em uma literatura viciante, mas jamais superficial. Precisa muito mais do mais do que isso para ser sucesso de crítica e público?

Cinco capas boas e cinco capas más

  Aqui estão as minhas escolhas para a tarefa desta semana, de onde tentei extrair o máximo possível de críticas, desde a escolha das cores ...