Para quem, como eu, foi arrebatada (o) pela literatura da Elena Ferrante, eis uma dica. "
A Febre Ferrante", em cartaz no Cinema Ideal (não sei se está em outros sítios). Documentário curto e interessante sobre a obra da autora, que virou uma febre nos últimos anos. Editores, autores, leitores, a tradutora para os EUA e outras pessoas falam sobre a obra e sobre a questão do anonimato da sra. Ferrante.
Para quem não conhece, é uma incrível escritora italiana cuja identidade é desconhecida, não por jogada de marketing (assim creio; há elegância e coerência demais na atitude dela para ser isso), mas por uma visão dela de que o que importa é a obra, não o autor. Ferrante diz que basta que sua obra seja lida - e pronto. Publicou pela primeira vez em 1992 e desde então tem se mantido anônima.
É um caso interessantíssimo nos dias de hoje, em que, para ser sucesso comercial, o autor (ou qualquer profissional...) tem de ser praticamente uma estrela das redes sociais, dos eventos, das feiras, entender de marketing e ser um produto ele mesmo.
Ferrante é colossal na construção de personagens, descrição de mundos emocionais e contextos sociais, tudo junto e misturado, em uma literatura viciante, mas jamais superficial. Precisa muito mais do mais do que isso para ser sucesso de crítica e público?