sexta-feira, 30 de novembro de 2018

O mercado de livros no Brasil



Estive a assistir a um direto da Laura Bacellar e do Sidney Guerra, autores do livro Marketing para Autores e administradores do blogue "Escreva Seu Livro", que acho ser do vosso interesse, pelo que deixo aqui o vídeo para assistirem no YouTube.



Para além deste, podem aceder a muitos outros vídeos no canal e ler artigos no blogue que referi (basta clicar). Já sigo o seu trabalho há vários anos e sou membro de um grupo fechado no Facebook onde muito autores e outros profissionais da área editorial partilham dicas e outras informações interessantes. Para acederem ao grupo, basta clicarem aqui e fazer o pedido de participação.





Os livros colorem esta livraria com ares futuristas na China



Linhas curvas, espaços amplos e bem iluminados fazem os visitantes terem a sensação de que estão caminhando entre nuvens... 

A matéria completa está aqui.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Masterclass de hoje

O editor João Concha esta com uma laringite que não melhorou. Ele tentou informar-me, mas aqui são menos seis horas.
Lamento, peço desculpa, e ele também. É um grande editor e um excelente comunicador. E está muito triste pelo sucedido.
Acontece aos melhores. E ele é um deles. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

É muito triste quando um prof tem saudades dos alunos

O que vamos ler em 2019?

Para quem não teve oportunidade de estar presente no evento "O que vamos ler em 2019? A receita dos tradutores", no Museu da Farmácia, ficam aqui alguns apontamentos que fui tirando durante a sessão.

A conversa foi gravada e será emitida na Antena 2 neste sábado à tarde, pelo que percebi. No entanto, não sei a que horas será, pois não aparece na programação online. Também ficará disponível em breve a lista completa de receitas das editoras para 2019 e, entretanto, disponibilizo aqui as imagens da lista que nos foi fornecida no local.





Apontamentos e reflexões


  • Ao traduzir, dá-se preferência a expressões com um determinado ritmo e naturalidade na língua e cultura de chegada. Pelo contrário, evita-se expressões que acarretem duplo sentido ou que já tenham caído em desuso.


Livro escrito pelo autor (Língua A) -> Livro traduzido (L. B) -> Livro traduzido de forma mediada (L. C)
(Serão todos diferentes? Será o primeiro mais distante do terceiro do que do segundo? E em que sentido?)


  • O nome dos tradutores (aqueles que nos abrem a porta para tantas línguas) são esquecidos quando se fala dos livros: refere-se logo o conteúdo e a escrita (associada ao autor). Tal se sucede inclusive com os próprios tradutores profissionais.


Maria do Carmo Figueira

  • Na altura em que foi para a faculdade, não havia curso de tradução, pelo que tudo o que aprendeu nessa área adveio da experiência de vários anos.
  • Um dos piores problemas dos tradutores portugueses é a falta de conhecimento da língua portuguesa.
  • Legendagem VS Tradução Literária: ao fazer legendas para filmes e séries, há que haver uma grande capacidade de consisão e de corte, pois as mesmas estão limitadas a X número de caracteres. Já na tradução de literatura, há mais espaço para a criatividade.
  • Conhecer o autor de um texto passa por ler e traduzir várias obras do mesmo, pois o contacto direto é muito raro e muito pouco incentivado pelas editoras. Assim sendo, traduzir acaba por ser um trabalho de detetive. A ocasião em que mais se aproximou da origem da história foi quando visitou o local no qual esta se passava.
  • A tradução é sempre um trabalho que envolve muitas pesquisas, inclusive de temáticas e de épocas, pelo que se acaba por aprender muito sobre várias áreas.
  • Um dos livros que lhe deu mais gozo traduzir foi o Cinzas de Ângela.

Tânia Ganho

  • Algo que costuma ser muito comum entre tradutores é a necessidade de ter o seu próprio espaço, de estar sozinho com as palavras do autor, de trabalhar ao seu próprio ritmo.
  • A tradução literária permite ao tradutor inventar e alongar-se nas palavras. Não precisa de e chega até a ser preferível não possuir uma linguagem tão direta e de significado explícito. É bom haver espaço para a interpretação do leitor. No caso da tradução em cinema, há que haver maior rigor, concisão e simplicidade, uma vez que a mensagem aparece num curto intervalo de tempo e, por isso, deve ser facilmente compreendida por todos.
  • Aprende-se muito com os revisores: os jovens tradutores ainda vão cometer muitos erros e a aprendizagem nunca tem fim.
  • Quando a pesquisa não ajuda na interpretação de determinada passagem do texto a traduzir: 1.º contacta amigos ingleses e expõe as suas dúvidas; 2.º Quando os amigos de língua materna inglesa também não percebem, tenta pedir o mail do autor, mesmo sendo muito pouco provável responderem. A maioria dos autores não se apercebe dos problemas de tradução que podem advir da sua escrita, nomeadamente no que toca a trocadilhos e jogos de palavras com sons idênticos.
  • Acredita que se torna mais motivante começar logo a traduzir sem ter lido a obra, pois vai descobrindo a história enquanto traduz, para além de que haverá muitas revisões e releituras posteriores. "Atacar sem ler primeiro" parece ser uma abordagem muito comum na tradução literária, que envolve textos de centenas de páginas.
  • O livro original e o livro traduzido estão associados a leituras completamente diferentes da mesma obra.
  • Ao ler por prazer, como um leitor habitual, a atenção ao detalhe é muito menor o que faz com que muita coisa passe despercebida. É ao traduzir que se nota a quantidade de coisas que terão escapado aquando de uma primeira leitura mais rápida.
  • Recomendação: A Vida em Surdina

Daniel Jonas
  • Traduziu letras de músicas e poesia.
  • Um tradutor pressupõe um superleitor, que presta redobrada atenção aos detalhes.
  • A tradução é um jogo hermético e psicótico, incluindo uma certa obsessão pela obra que se traduz.
  • Recomendação: Paraíso Perdido, por John Milton.

Alda Rodrigues
  • Escreve no blogue: http://cinefilopreguicoso.blogspot.com/
  • Trabalhou em tradução para dicionários bilingues, o que acarreta uma maior abrangência e representatividade, pois é necessário juntar todas as acessões de uma palavra numa só entrada.
  • Ao começar a trabalhar em tradução literária, altera-se o paradigma, pois é necessário recorrer à precisão para encontrar a palavra que melhor se adequa no contexto em questão.
  • Os prazos são muito apertados e a produção imposta pode acarretar um trabalho de muitas horas seguidas, mas é importante haver momentos de pausa para "refrescar as ideias".
  • No final, os tradutores reveem as provas revistas. Alda Rodrigues respeita a opinião do revisor e aceita todas as alterações a não ser que detete correções de coisas que estavam certas ou erros adicionados pelo próprio revisor. Há portanto, comunicação entre ambos, ao contrário do que acontece com o autor.
  • A tradução implica muitas pesquisas relacionadas com determinadas terminologias e áreas do saber, sendo de notar a obsessão que se cria pela obra.
  • Uma obra que lhe foi difícil traduzir, mas que também por isso lhe deu muito prazer: Tempo de Silêncio, de Patrick Leigh Fermor (Tinta da China).

Paulo Faria
  • O tradutor é alguém que vive num estado de constante insatisfação (não paralisante).
  • É muito limitador pensar que não podemos fazer bem algo que foge da nossa formação inicial (refere o tradutor que se licenciou em Biologia). A verdade é que existem melhores tradutores que nunca tiveram formação na área do que muitos que tiveram mas não têm motivação para o fazer com qualidade. Para além disso, é preciso ler muito para conseguir traduzir bem.
  • Há uma constante vontade de refazer o trabalho de tradução, inclusive quando a obra já está publicada.
  • Se quisermos ler até ao fundo, acabamos a traduzir.
  • Organização: dividir o número de páginas a traduzir pelos dias que faltam até ao prazo final, comprometendo-se com esse número, quer se demore mais ou menos tempo em cada dia.
  • Há muitos livros que estão a ser publicados em más condições devido à nova tendência de publicar cada vez mais obras em menos tempo. Não é possível fazer um trabalho decente quando os tradutores se tornam uma linha de produção com limites demasiado apertados.



  • Ilusão: o leitor deve acreditar que as palavras traduzidas são as do autor (mesmo tendo noção que este último desconhece a língua para a qual o livro foi traduzido). A melhor tradução é aquela na qual não se repara.
  • No entanto, o tradutor é lembrado quando se descobrem os erros, por mais pequenos que sejam, os quais acabam por ser fortemente criticados. Se é para fazer uma crítica, esta deve ser equilibrada, falando não apenas do que correu pior mas também daquilo que o tradutor conseguiu resolver com qualidade.
  • A tradução é uma área profissional que acarreta pouco reconhecimento e enriquecimento.
  • No mercado de tradução literária, os melhores tradutores portugueses ganham cerca de 7-10€ por página, o que é muito pouco comparado com outros países. Tânia Ganho relembra uma situação em que, estando a traduzir o mesmo livro, ela recebia 9€ por página enquanto um tradutor francês recebia 21€ e um inglês 30€.
  • Os revisores são ainda mais mal pagos do que os tradutores.
  • Traduzir é um trabalho a tempo inteiro: nunca se sabe quando nos vai ocorrer a resolução de um problema de tradução.
  • Antes, para ser tradutor, era preciso saber muito mais do que hoje, pois agora a tradução é facilitada pelas novas tecnologias (facilidade de acesso).
  • Cada vez a tradução é menos falada pelos media e pela população em geral, não se reconhecendo que há um intermediário que permitiu essa leitura em primeiro lugar. Ao consultar livrarias online, na maior parte das vezes nem se informa sobre o nome do tradutor.
  • Já não se publicam muitas recensões literárias.
  • O departamento financeiro acaba por ter mais poder, muitas vezes até que o editor, pelo que a decisões não dependem apenas deste último e das suas possíveis melhores intenções. 

Termino com uma imagem da lista de receitas dos tradutores para 2019, também fornecida no local.



Brasil: a crise diz "olá"

No Brasil, as duas maiores redes de livrarias estão mal das pernas. Há pouco mais de um mês, a Livraria Cultura pediu recuperação judicial. Hoje, a Livraria Saraiva também anunciou pedido de recuperação judicial, algumas semanas depois de ter fechado pelo menos 20 lojas Brasil afora. A quem interessar possa, aqui uma matéria interessante sobre a crise das livrarias no Brasil.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Intercultural Literature in Portugal - Uma bibliografia crítica


Ultimamente, tenho andado a trabalhar num projeto na CEAUL (Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa) que pode ser do vosso interesse. Chama-se "Intercultural Literature in Portugal" e pretende servir como uma bilbiografia crítica de literatura traduzida e publicada sob a forma de livro em Portugal de 1930 a 2000. Este projeto surge no seguimento do trabalho de A. A. Golçalves Rodrigues, que já divulgou em cinco volumes da obra A Tradução em Portugal as traduções publicadas entre 1495 e 1930.


Neste momento, a base de dados de acesso livre está disponível online através do site http://www.translatedliteratureportugal.org/ e já conta com 20.200 registos referentes ao período de 1930 a 1981. Estamos a trabalhar na expansão da mesma com pesquisas online em várias bibliotecas nacionais correspondentes à língua dos textos de partida e consultas presenciais dos volumes traduzidos na Biblioteca Nacional de Portugal.


Resumindo e complicando, esta base de dados resulta, portanto, de:
  1. uma reflexão inicial sobre os conceitos de tradução e de literatura; 
  2. identificação de informações potencialmente relevantes para um investigador em Estudos de Tradução, de modo a criar uma matriz de dados a incluir em cada registo;
  3. identificação de fontes de referências bibliográficas para obras de partida e de traduções;
  4. identificação de uma metodologia a seguir por todos os investigadores do projecto, tendo como objectivo a uniformização dos dados;
  5. criação de listas iniciais de textos literários traduzidos para português e publicados em volume em Portugal;
  6. localização e verificação de cada volume para garantir a confirmação e/ou correcção e/ou adição de dados;
  7. revisão dos registos;
  8. criação de um website para disponibilização online e em acesso livre da base de dados; 
  9. actualização períodica da base de dados com novos dados, repetindo-se os passos 5 a 7.
E para que serve?
Sendo uma bibliografia crítica, serve como uma ferramenta de trabalho para investigadores no âmbito de estudos mais aprofundados sobre a história da literatura e da tradução em Portugal, abrindo um leque variado de outras pesquisas. Trata-se, igualmente, de um contributo para a memória do Estado Novo e anos subsequentes, pois pretende evitar o esquecimento de uma parte substancial da história cultural da ditadura portuguesa, tendo em conta que a tradução sempre constituiu uma parte considerável da cultura literária do nosso país.

Se tiverem alguma questão relacionada com o projeto, não hesitem em falar comigo ou perguntar nos comentários.

domingo, 18 de novembro de 2018

E-books e o futuro do livro em papel


O futuro do livro, enquanto objeto, é-nos desconhecido. Contudo, e, tal como o Professor afirmou na última aula, por enquanto o mundo editorial ainda prefere o formato em papel. Existe, sem dúvida, uma relação mais humana e afetiva com o papel do que com o gadget. Apesar disso, se num futuro próximo decidirem pôr o preço dos e-books, por exemplo, dez vez mais barato do que o dos livros em papel, é certo que o papel se tornará caduco. No fundo, esta acaba por ser uma decisão política, uma vez que é a editora que tanto produz livros em papel como e-books.

Abaixo enuncio algumas vantagens e desvantagens dos e-books, isto é, dos livros eletrónicos.


Vantagens:


  • É, muitas das vezes, mais económico que o livro em papel.
  • É mais sustentável e amigo do ambiente.
  • Facilmente transportável para qualquer lugar.
  • Permite economizar espaço.
  • Um leitor pode ter centenas de e-books armazenados num só dispositivo.
  • Permite personalizar o tamanho e tipo de letra para uma leitura mais confortável, ajustando-se ao gosto de cada leitor.


Desvantagens:

  • Não permite uma relação humana, tal como acontece com o papel, não sendo possível folhear nem ter o cheiro de folhas verdadeiras; falta de estimulação sensorial.
  • Nem todos os livros estão (ainda) disponíveis em formato e-book.
  • O livro em si mesmo já contém tudo o que se necessita para ler, enquanto que um e-book depende sempre da existência de um dispositivo.
  • Os e-books são mais fáceis de piratear do que um livro, o que, por conseguinte, pode provocar maior prejuízo às editoras e autores.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Aula 9 e planos para as duas próximas aulas (Inc.)

22/11: museu da farmácia
29/11: masterclass João Concha

1. Editing para o Google é cinema
1.1. Uma canção que é um trazer de um filme que só estreia daqui a um ano e cuja produção ainda não está completa.
1.2. O início da temporada 6 da série Os Americanos. Está la tudo: espioes e o quotidiano, americanos mas agentes russos, fazendo coisas 'boas' (trabalho, família, sexo) mas sempre tristes.
2. «Vocês são nómadas» – o que significa isto e tem isto a ver com o livro electrónico?
Uma geração que viaja, que muda de casa, de emprego, parceiro ou mesmo país com mais celeridade (estatística, não é traço individual) que gerações anteriores. Isto tem inclusive a ver com a precariedade do aluguer de casa.

3. Férin x Galegas

4. Eu sou o meu cartão de visita

5. 

Frequência

7 de janeiro, 18-20h, sala a anunciar. 

Fernando Ribeiro de Mello: O "Dali de Lisboa"

Tenho acompanhado uma extraordinária série da RTP1, Três Mulheres. Passada em Portugal, esta série foca-se nos anos 60 e em três grandes figuras femininas (Natália Correia, Snu Abecassis e Maria Armanda Falcão). Também, obviamente, aparecem outras grandes personalidades, como Luís de Sttau Monteiro, Sophia de Mello Breyner Andresen, José Cardoso Pires, entre outros.

Apesar destes grandes nomes, gostaria de destacar um editor muito controverso, mas empenhado em mudar por completo a literatura portuguesa e a forma como certos temas são vistos pela sociedade. Estou a falar de Fernando Ribeiro de Mello, um editor portuense que foi muito perseguido pelo Estado Novo. Foi ele que publicou Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, de Natália Correia, e o Kama-Sutra. Foi, ainda, o fundador da editora Afrodite. Aí, Fernando Ribeiro queria publicar obras consideradas "malditas" pela censura e pelos costumes conservadores portugueses.



Fernando Ribeiro de Mello (Arquivo DN)


É no terceiro episódio da série que o editor aparece. Dirige-se a Sttau Monteiro e expõe os seus objetivos como editor. De seguida, pede ao escritor para que estabeleça uma relação entre ele e Natália Correia, pois gostaria que fosse ela a organizar um livro de poemas eróticos. Entretanto, encontra-se com ela e os dois estabelecem um esboço daquilo que viria a ser a Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica.


Perante tal cena, lembrei-me da Masterclass da editora da Tinta-da-China, Bárbara Bulhosa, uma vez que ela defende que um editor deve ser uma espécie de ativista político-social. E foi precisamente isso que eu vi quando Fernando Ribeiro de Mello foi introduzido nesta série como personagem. Alguém que quer modificar os costumes e quebrar tabus, especialmente os que estão relacionados com o erotismo.

Se quiserem saber um pouco mais sobre o "Dali de Lisboa", podem consultar este artigo.





Daniela Sampaio

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Gadgets chegam ao livro: "nonsense" ou algo mais?

Abaixo podem encontrar duas fotos de um gadget que chegou às minhas mãos, que serve para não mais que manter um livro aberto. Utilitariamente, não faz muito sentido, salvo se desejarmos manter uma determinada página de um livro aberta. O seu funcionamento não é muito user-friendly e a sua utilização acaba por ser uma brincadeira, nada de relevo suficiente para aqui ser partilhado, pelo menos aprentemente.

No entanto, a sua utlização sugeriu-me uma semelhança com os acessórios para telemóveis e câmaras fotográficas. Coisas como capas de telemóvel, selfie-sticks, proteções de vidros ou o infâme pop-socket (um artigo para facilitar o manuseamento de telemóveis... como se estes fosse difíceis de manusear). Mas no fundo, todos estes artigos têm uma função dupla: oferecem um pouco de utilidade mas são maioritáriamente objectos de "estilo", com que adereçamos objectos de prestígio.

Fiquei a pensar no que o professor RZ disse acerca dos livros, das vendas natalícias e do livro ser um objecto de prestígio... Numa sociedade onde os objectos servem tanto ou mais como demonstração de status, parece-me até incrível que não haja mais oferta no sector do livro!



segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Como formar uma empresa

É um bocadinho lugares comuns e um bocadinho vestir técnicas velhas com novas roupagens. Mas resume bem q.b. a questão. As famosas «análises SWOT» também contribuem.
«A marca, a rede de contactos, a internacionalização e o pitch são aspectos determinantes (...» - lindo!

Preço fixo no Brasil

O artigo não é recente, mas a discussão é.
"A FLIP discute o preço fixo" aqui
.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Dia 22: conferência com tradutores no Museu da Farmácia (a calçada do Quelhas, ao Camões, metro Chiado). Aqui


quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Um lapso na citação





"Diana, o teu artigo é bom. Obrigado pela partilha. Tem apenas um senão: o Simonides escreveu em inglês?"

Aula 8/11 - balanço (texto não editado)

A linlín portuguesa tem duas superpotências: por isso com frequência nos contratos são excepcoes: "... direito exclusivo de edição/tradução, com excepção de Portugal/do Brasil..."

Um contrato tem espaço e tempo. Quanto tempo?

Distribuição própria ou não? Vantagens e desvantagens.
Editoras há em que (quase) tudo é outsourcing.
Outras em que nada é – nem sequer a impressão ou tradução do livro.

Curiosa expressão: "Gosto que metam a pata."
"Concordo com 70% daa suhessuge."
Regra: o autor manda, se o texto é autoral. Mas so um idiota não escuta uma segunda opinião. Em teoria, o editor é um leitor de excelência.

PP / P /PP

Bom, espero que consigam editar o que está acima. 

João Tordo é um escritor talentoso e genuinamente simpático - a ideia não é ele ficar com as orelhas a arder, é aprendermos alguma coisa com ele.
Reparámos que foi generoso para com os colegas - embora confesse que só começou a ler portugueses muito tarde. Na verdade, depois de publicar o seu primeiro romance, Hotel Memória. Esta lacuna (para mim lacuna real: é uma originalidade estranha nossa, esta de os escritores que escrevem na nossa língua não lerem muito autores da sua cultura) não lhe é exclusiva. Na verdade, e cá vai teoria (por documentar), creio que muitos autores portugueses têm duas linhagens: a das suas influências nacionais e a das internacionais. Isto valerá também os leitores.
Já oiço a pergunta: «Mas então não é assim o mesmo como todos em todo o lado?» E a resposta é: não. Não da mesma maneira. O leitor e o autor português têm alguma desconfiança - justificada ou injustificada - em relação ao produto nacional e para qual (como dizer?) contribuem. O caso do cinema é paradigmático: um filme português tem menos receptividade que um filme estrangeiro, inclusive da crítica. O contrário da indústria cinematográfica americana, que até faz algo para nós estranho: a apropriação de um filme original de outro país para os seus actores, a sua língua, o universo que lhes é familiar.
João Tordo leu provavelmente muito mais em inglês que em português. Não sendo um defeito, é um traço. As personagens de Gonçalo M. Tavares têm geralmente nomes internacionais (Matteo perdeu o emprego), no pólo oposto de uma Lídia Jorge, por exemplo. Ana Teresa Pereira situa quase todos os livro num universo inglês próximo de Iris Murdoch, o romance Doença de Hélia Correia é sobre Elisabeth Siddal, etc. Isto tem mal? Não. «E não deviam os escritores escrever sobre X, Y. Z?» Não, não deviam. Não são funcionários, pelo que escrevem sobre o que lhes der na gana - a menos que seja encomenda.

Um autor hoje tem de ser um feirante - as tournées à americana viraram norma. Para mim (que tenho mau feitio) é um bocadito um contra-senso: afinal, a ideia do livro é precisamente autor e leitor nunca se encontrarem ao vivo. Na tradição anglo-saxónica, o autor lê 20 minutos e responde secamente a um punhado de perguntas. Mas se mostrar sentido de humor ganha clientes. Na tradição alemã, a leitura é o dobro ou o triplo (coitados, são alemães). O 'sentido de humor', o 'charme', a 'modéstia', a 'simplicidade', a 'espontaneidade' e a 'rapidez na réplica' viraram traços que ajudam o livro a vender. Ser bem parecido também ajuda. «And he has a very marketeable face» - juro que já ouvi isto.
Há uma evidente vantagem para os autores vivos, para os que atraem público, para os que têm jeito para falar. Experiência pessoal: uma grande escola para autores portugueses foi o festival Correntes d'Escritas na Póvoa de Varzim, que fará 20 anos em 2019. É, digamos, a mãe de todos os festivais. Levou quase uma década a entrar no mapa, mas entrou. Folio, Festival da Madeira e as dezenas de festivais por esse país fora hoje devem uma vénia às Correntes. Nos primeiros anos, autores lationo-americanos e espanhóis davam cabazadas aos autores nacionais. Dez a zero. A tradição portuguesa era que falar bem até significava que provavelmente se era mediocre poeta ou escritor. Isso foi mudando, perante o charme de Luís Sepúlveda, a energia de Rubem Fonseca, a eloquência de Nélida Piñon. O pior autor que me lembro, porque ao contrário de João Tordo nem sequer conseguia tornar o gaguejar charmoso, foi Francisco Duarte Mangas (aqui na foto), jornalista do DN e escritor vagamente premiado. Uma desgraça.


A nova geração de autores portugueses (os nascidos cerca de 74 e que tinham vinte e poucos anos quando foram à escola das Correntes sabem hoje defender-se, até porque é preciso estar sempre a fazer networking, seja em festivais, feiras, apresentações, residências de artistas, colóquios  (Sim, há uma palavra portuguesa mas é feia.)  No universo americano, o escritor sabe que vai dedicar uma boa fatia do seu tempo à promoção. E aqui vem o enguiço: quando uma pessoa faz uma coisa muitas vezes seguidas, começa a ter um truque, uma cassete riscada. A palavra gimmick expressa esse misto de esperteza, saber de experiência feito, truque. E a dada altura o escritor que escreve sobre a Paz no Mundo corre o risco de não ser melhor que o mais banal político demagogo: dizer não aquilo que pensa e tem para dizer (mesmo que os outros não o queiram ouvir) para passar a dizer aquilo que  os clientes daquela noite querem ouvir. 

Players: a Maria do Rosário Pedreira (Leya) junta-se o nome de Clara Capitão (Random House). A ex-editora Cristina Ovídio (durante muitos anos na Oficina do Livro e, depois, no Clube do Autor, é hoje a directora da livraria Menina & Moça, na rua rosa do Cais do Sodré.
Mundo circular.
«E por que motivo devemos saber estes nomes?» Porque a teoria quer carninha, tal como a imaginação de Camões («e o vivo e puro amor de que sou feito/como matéria simples busca a forma»).
Tal como o livro não viaja sozinho - é uma coisa que tem de ser transportada - também a teoria fica balofa se não for informada de factos reais.

PRÉ-PRODUÇÃO  ////  PRODUÇÃO //// PÓS-PRODUÇÃO
Dito assim parece fácil - e a arrumação é boa. Em três blocos que, por sua vez, distribuem as tarefas pelos agentes. Mas é um esquema. Na verdade, muitas vezes há simultaneidade. Antes de ser impresso, o livro já está a ser promovido, depois de lançado ainda está a ser acompanhado, se esgotar há que voltar a imprimir.

Tecnicamente, «2ª edição» é só quando há mudanças em relação à primeira, na verdade é apenas reimpressão: «2ª impressão». Mas o termo ficou, ainda que a maior parte das vezes erradamente aplicado.




quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Amanhã, quinta 7: masteclass e... aula!

Amanhã teremos o melhor e o pior de dois mundos. Sim, será interessante assistirmos à masterclass de João Tordo. Mas depois subiremos as escadas e iremos ter aula até às 21h.

Precisamos da aula até porque no fim do mês eu estarei ausente - embora uma das aulas seja assegurada por um editor convidado. Ainda assim, a aula dada por mim é o fio condutor.

Em dezembro, para além da bibliografia acessível no blog (ver programa), porei à vossa disposição uma sebenta que, de certo modo, organiza e/ou dá eco ás aulas.

Gostaria que amanhã «fechássemos» uma primeira ronda. Na verdade, os últimos pontos (o futuro do livro) são também para mim uma incógnita, achei só que «ficavam bem» no programa, como um naperon em cima de um televisor, por isso não sei o que dizer.

Perguntas: como dividiria o processo de edição dum livro? o calendário agrícola, como é? quando se lança um livro comercialmente menos forte (tipo poesia, ensaio ou autor semi-desconhecido)?


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Livreiros e alfarrabistas

OLD BOOKSHOPS OF PORTUGAL by Richard Aitken

#USkPorto2018 #usk #internacionalUrbanSketchers #Porto #UrbanSketchersPorto #UskPortugal #oldbookshop

"Portugal is a haven for lovers of old books, as well those who like to sketch in shops—I love both. There is a great range of premises and prices, from high-end to street vendors. I’ve been inspired by the excellent series of introductory symposium posts by Paulo Mendes to contribute a specialised footnote if visitors can drag themselves away from scheduled activities. Did I say Portuguese people are friendly?

"A short stroll up through Porto’s Santa Catarina district brings us to Manuel Ferreira alfarrabista (a term denoting more than a mere shop, but a dealer in antiquarian books, named after the tenth-century Turkish philosopher Al-Farabi). At Rua Dr Alves da Veiga, 89, Herculano Ferreira and his daughter Mariana tend an amazing specialist business with barely a book to be seen. Mac meets Manueline here. You state your interests and books are produced from an extensive stock."

[Guest post by Richard Aitken in Porto and Lisbon, Portugal] 9th international Urban Sketchers Symposium, Porto July 2018]

Check more: http://www.urbansketchers.org/2018/07/old-bookshops-of-portugal.html#more

domingo, 4 de novembro de 2018

Palavras-chave: 'depende' e 'adequação'

Diariamente, nas últimas semanas, o Correio da Manhã tem feito publicidade de uma página ao novo romance de José Rodrigues dos Santos, um escritor português na linha de Dan Brown. É um investimento e, decerto, também uma parceria. Até no suplemento de sábado, nas costas da capa, há pub. É adequada? O investimento justifica-se?
Se sim, por que motivo não para um livro de ensaios de Filomena Molder?

Vale a pena fazer pub nas redes sociais? Depende. Vale a pena fazer o lançamento de um romance num espaço caro como o do Lux? Depende. Se for de Rita Ferro talvez sim, se for de Alberto Pimenta nem por isso. Vale a pena fazer capa dura? Depende. Para uma editora marginal vale a pena distribuir pelo país? Depende.

É adequado enviar a biografia do dirigente comunista Álvaro Cunhal para a festa partidária do PSD?
A maior parte das vezes, é quase só uma questão de bom senso. Embora por vezes (e essa é outra questão) fazer a coisa errada dê certo


sábado, 3 de novembro de 2018

Les Puf e Espresso Book Machine


Face à subida dos imobiliários e à necessidade de espaço para o stock, esta livraria resolveu assim o seu problema. Não me parece uma má solução, mas para quem gosta de prateleiras e de mexer no que vai comprar, fica algo em falta. Enfim, é prático e económico, e bem melhor do que fechar as portas.

Uma editora em Damasco

«(...) Samar reconheceu que tinha que viajar mais, sim, mas para fora de território sírio. Para o estrangeiro. E assim foi. "Comecei a ir às feiras do livro. Tive acesso a várias bolsas de tradução. Trabalho muito com o Goethe Institut por exemplo. Traduzimos e publicamos ficção. Tenho um livro por exemplo de um jornalista espanhol, sobre Pep Guardiola, que tem 400 páginas. Adoro futebol, jogava, quando era pequena. Adoro desporto, em geral, vejo-o como cultura, gosto de festa nos estádios, todos a torcer pela mesma equipa. Durante 90 minutos as pessoas podem ser amigas, mesmo que sejam inimigas durante aquele tempo estão a torcer pela mesma equipa".
Samar é também coordenadora da secção de árabe da Alliance International des Éditeurs Indépendants com sede em Paris. Normalmente tem reuniões pela internet - quando a há - trata por aí a maior parte dos assuntos. Os seus colaboradores, dos tradutores aos designers, vivem todos no estrangeiro, em países como os EUA, por exemplo. "Estão fora, mas são sírios, faço questão de trabalhar com sírios. De lhes dar trabalho. De os ajudar", sublinha, contando que, de cada vez que sai da Síria, o que lhe vale é o apoio das organizações que a convidam e o seu passaporte canadiano. "De Damasco atualmente não se vai para lado nenhum. De Beirute é que voo para todo o lado. Vou de táxi entre uma cidade e outra". A viagem é de quatro horas para lá e para cá e custa, ida de volta, 200 dólares (cerca de 180 euros). (...)»

Ler na íntegra (penso que se pode ler na íntegra) aqui

Dwarsliggers, o futuro do livro?

Há uns dias deparei-me com esta notícia sobre um novo formato de livro que parece estar a fazer sucesso. Será que poderá vir a mudar a forma como lemos?


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Quinta 22 de novembro: conversa com tradutores

O ano passado foi muito interessante um debate com editores. (A turma foi e gostou). Este ano é capaz de valer também a pena. Falemos disto.


Conferência: "O Que Vamos Ler em 2019? As Receitas dos Tradutores"
Painel de Convidados: Alda Rodrigues, Daniel Jonas, Paulo Faria, Maria do Carmo Figueira, Tânia Ganho.
Moderador: Luís Caetano (Antena 2)
Programa
Tema 1 – O ofício de tradutor: percursos pessoais e profissionais
Tema 2 – O tradutor e o autor: uma interpretação de risco?
Tema 3 - Tendências de futuro, que papel para o tradutor?
Tema 4 - "Receitas” para 2019, as recomendações dos tradutores
Debate aberto ao público
Auditório do Museu da Farmácia
22 de novembro (Quinta-Feira) | 18h30-20h30
Entrada Livre
Informações: cultura@anf.pt

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O gosto dos outros

A VOZ DA RAZÃO CRÍTICA
Poucas pessoas sabem reconhecer a qualidade – eu sei. Durante anos fiz crítica literária e, em nome do rigor científico, cumpri sempre à risca um preceito: nunca ler os livros sobre os quais escrevia, para não ser influenciado na justeza da minha avaliação.

Depois percebi, com algum horror, que mesmo isso era insuficiente: ao falar só de livros sobre os quais tinha ouvido falar, não estaria já a ser subjectivo?

Ainda assim, o meu método ficou famoso e é não desguarnecido de orgulho que hoje tenho muitos discípulos, espalhados pelos mais prestigiados fazedores de opinião: Expresso, Público, JL (sobretudo o JL), revista Ler, revista do Círculo de Leitores, boletim da SPA, Colóquio-Letras.

Enfim o meu trabalho é reconhecido e a Gulbenkian (uma espécie de Serralves, só que com menos nus) convidou-me para, assistido por Maria Do Rosário Pedreira e Aurélio Gomes, informar o País dos dez livros dez que merecem perfazer o Cânone destes primeiros 17-18 anos do século XXI.

Vai ser maningue bué baril, acho.

Cinco capas boas e cinco capas más

  Aqui estão as minhas escolhas para a tarefa desta semana, de onde tentei extrair o máximo possível de críticas, desde a escolha das cores ...