A linlín portuguesa tem
duas superpotências: por isso com frequência nos contratos são excepcoes: "... direito exclusivo de edição/tradução, com excepção de Portugal/do Brasil..."
Um
contrato tem espaço e tempo. Quanto tempo?
Distribuição própria ou não? Vantagens e desvantagens.
Editoras há em que (quase) tudo é
outsourcing.
Outras em que nada é – nem sequer a impressão ou tradução do livro.
Curiosa expressão: "Gosto que metam a pata."
"Concordo com 70% daa suhessuge."
Regra: o autor manda, se o texto é autoral. Mas so um idiota não escuta uma segunda opinião. Em teoria, o editor é um leitor de excelência.
PP / P /PP
Bom, espero que consigam editar o que está acima.
João Tordo é um escritor talentoso e genuinamente simpático - a ideia não é ele ficar com as orelhas a arder, é aprendermos alguma coisa com ele.
Reparámos que foi generoso para com os colegas - embora confesse que só começou a ler portugueses muito tarde. Na verdade, depois de publicar o seu primeiro romance,
Hotel Memória. Esta lacuna (para mim
lacuna real: é uma originalidade estranha nossa, esta de os escritores que escrevem na nossa língua não lerem muito autores da sua cultura) não lhe é exclusiva. Na verdade, e cá vai teoria (por documentar), creio que muitos autores portugueses têm duas linhagens: a das suas influências nacionais e a das internacionais. Isto valerá também os leitores.
Já oiço a pergunta:
«Mas então não é assim o mesmo como todos em todo o lado?» E a resposta é: não. Não da mesma maneira. O leitor e o autor português têm alguma desconfiança - justificada ou injustificada - em relação ao produto nacional e para qual (como dizer?) contribuem. O caso do cinema é paradigmático: um filme português tem menos receptividade que um filme estrangeiro, inclusive da crítica. O contrário da indústria cinematográfica americana, que até faz algo para nós estranho: a apropriação de um filme original de outro país para
os seus actores, a
sua língua
, o universo que
lhes é familiar.
João Tordo leu provavelmente muito mais em inglês que em português. Não sendo um defeito, é um traço. As personagens de Gonçalo M. Tavares têm geralmente nomes internacionais (
Matteo perdeu o emprego), no pólo oposto de uma Lídia Jorge, por exemplo. Ana Teresa Pereira situa quase todos os livro num universo inglês próximo de Iris Murdoch, o romance
Doença de Hélia Correia é sobre Elisabeth Siddal
, etc. Isto tem mal? Não.
«E não deviam os escritores escrever sobre X, Y. Z?» Não, não deviam. Não são funcionários, pelo que escrevem sobre o que lhes der na gana - a menos que seja encomenda.
Um autor hoje tem de ser um feirante - as tournées à americana viraram norma. Para mim (que tenho mau feitio) é um bocadito um contra-senso: afinal,
a ideia do livro é precisamente autor e leitor nunca se encontrarem ao vivo. Na tradição anglo-saxónica, o autor lê 20 minutos e responde secamente a um punhado de perguntas. Mas se mostrar sentido de humor ganha clientes. Na tradição alemã, a leitura é o dobro ou o triplo (coitados, são alemães). O 'sentido de humor', o 'charme', a 'modéstia', a 'simplicidade', a 'espontaneidade' e a 'rapidez na réplica' viraram traços que ajudam o livro a vender. Ser bem parecido também ajuda.
«And he has a very marketeable face» - juro que já ouvi isto.
Há uma evidente vantagem para os autores vivos, para os que atraem público, para os que têm jeito para falar. Experiência pessoal: uma grande escola para autores portugueses foi o festival
Correntes d'Escritas na Póvoa de Varzim, que fará 20 anos em 2019. É, digamos, a mãe de todos os festivais. Levou quase uma década a entrar no mapa, mas entrou. Folio, Festival da Madeira e as dezenas de festivais por esse país fora hoje devem uma vénia às Correntes. Nos primeiros anos, autores lationo-americanos e espanhóis davam cabazadas aos autores nacionais. Dez a zero. A tradição portuguesa era que falar bem até significava que provavelmente se era mediocre poeta ou escritor. Isso foi mudando, perante o charme de Luís Sepúlveda, a energia de Rubem Fonseca, a eloquência de Nélida Piñon. O pior autor que me lembro, porque ao contrário de João Tordo nem sequer conseguia tornar o gaguejar charmoso, foi
Francisco Duarte Mangas (aqui na foto), jornalista do DN e escritor vagamente premiado. Uma desgraça.
A nova geração de autores portugueses (os nascidos cerca de 74 e que tinham vinte e poucos anos quando foram à escola das Correntes sabem hoje defender-se, até porque é preciso estar sempre a fazer
networking, seja em festivais, feiras, apresentações, residências de artistas, colóquios (Sim, há uma palavra portuguesa mas é feia.) No universo americano, o escritor sabe que vai dedicar uma boa fatia do seu tempo à promoção. E aqui vem o enguiço: quando uma pessoa faz uma coisa muitas vezes seguidas, começa a ter um truque, uma cassete riscada. A palavra
gimmick expressa esse misto de esperteza, saber de experiência feito, truque.
E a dada altura o escritor que escreve sobre a Paz no Mundo corre o risco de não ser melhor que o mais banal político demagogo: dizer não aquilo que pensa e tem para dizer (mesmo que os outros não o queiram ouvir) para passar a dizer aquilo que os clientes daquela noite querem ouvir.
Players: a
Maria do Rosário Pedreira (Leya) junta-se o nome de
Clara Capitão (Random House). A ex-editora
Cristina Ovídio (durante muitos anos na Oficina do Livro e, depois, no Clube do Autor, é hoje a directora da livraria Menina & Moça, na rua rosa do Cais do Sodré.
Mundo circular.
«E por que motivo devemos saber estes nomes?» Porque a teoria quer carninha, tal como a imaginação de Camões («e o vivo e puro amor de que sou feito/como matéria simples busca a forma»).
Tal como o livro não viaja sozinho - é uma coisa que tem de ser transportada - também a teoria fica balofa se não for informada de factos reais.
PRÉ-PRODUÇÃO //// PRODUÇÃO //// PÓS-PRODUÇÃO
Dito assim parece fácil - e a arrumação é boa. Em três blocos que, por sua vez, distribuem as tarefas pelos agentes. Mas é um esquema. Na verdade, muitas vezes há simultaneidade. Antes de ser impresso, o livro já está a ser promovido, depois de lançado ainda está a ser acompanhado, se esgotar há que voltar a imprimir.
Tecnicamente, «2ª edição» é só quando há mudanças em relação à primeira, na verdade é apenas reimpressão: «2ª impressão». Mas o termo ficou, ainda que a maior parte das vezes erradamente aplicado.