Tedi19
quinta-feira, 20 de outubro de 2022
Cinco capas boas e cinco capas más
sábado, 7 de novembro de 2020
3h40 de seca (sumário da aula 6)
1. Adonde o leitor?
Anteontem não cumpri (ou, como manda o eufemismo, descumpri) o princípio que me impus: se a aula for longa, fazer uma pausa para deixar respirar. Peço desculpa. Esqueci também o marcador, pelo que não usei o quadro, o que nem tem tanto mal, pois assim quem ficou em casa e quem foi à aula ficou mais em pé de igualdade. É uma chatice para mim servir dois senhores, os zooms e os presentes, e a manta acaba ficando curta de um lado ou de outro, mas até acaba de rimar com a natureza da edição de texto: sempre a servir vários senhores, a falar com quem está perto e com quem está longe, com os interessados e com os indiferentes, tentando falar com UM LEITOR que só existe em teoria, até porque um dos ideias da leitura é que cada leitor real é um indivíduo autónomo. Embora hoje a venda de livros seja massificada - o best seller, ou besta célere, como dizia Alexandre O'Neill, é expressão disso - a natureza do livro (cf. ponto 2) era tratar cada leitor com o respeito que se tem a uma cabeça autónoma, não manipulável. Aliás, o ideal era mesmo que um leitor fosse (através da leitura) menos seguidista e manipulável.
(Suspiro.)
2. A contracapa
Vantagens da contracapa do Filipe: curta, adequada ao livro, diz coisas que não estavam ditas na capa. Falta apurar e ver se aquilo responde ao que se quer: comunicar/clarificar e se-duzir/trazer para o livro É uma regra que os poetas conhecem bem: quanto mais curto o texto, maior o rigor nos ínfimos pormenores.
Entretanto, terei sido só eu a ficar curioso de ler O Alienista, após o sales pitch (só quando cheguei a casa reparei que o foi) do Filipe? Mesmo que ele não tivesse intenção, o resultado foi esse. A boa publicidade é aquela onde o ouvinte não sabe que é publicidade. Melhor ainda quando o emissor não dá conta de estar a a fazer promoção. Brilhante.
3. O preço do vinho
Comprado na Makro, um bom comerciante aumenta o preço cinco vezes. É razoável ir até às sete. Muito mais é ganância - mas qualquer profissional sabe que é na garrafa que está o lucro. Produto menos perecível e com maior valor simbólico.
O break even no negócio do livro é parecido.
4. Uma bonita definição de editor
Um delegado do leitor junto do autor e um advogado do autor junto do leitor - formulou de forma lapidar Manuel Alberto Valente (em conversa privada), até este ano editor literário da Porto.
5. Clepsidra. Um pequeno jogo.
5.1. A técnica micaelense: confrontar fontes.
5.2. O problema é onde cabe melhor o verso? O que fez Pessanha? O que tencionava fazer? (Complicado, sobretudo com textos inacabados ou não fixados. Ver o caso de Alabardas, de Saramago, A Cidade e as Serras de Eça (durante décadas a versão publicada era a trabalhada pelo filho) ou outros textos póstumos.
5.3. Mas não demasiado póstumos, como no caso do pintor de O Amigo Americano - romance de Patricia Highsmith que deu pelo menos duas adaptações, numa com Dennis Hopper fazendo de Ripley, na outra com Malkovich. Um pintor que fingia estar morto e mudou o azul - ninguém percebe menos um restaurador-princesa. Alguém me lembre (ai, não devia dizer «alguém», é asneira anunciada) para falarmos da história da princesa e da ervilha na próxima aula).
6. Como era antigamente?
De estafeta a jornalista - pôr um pé na porta, aprender na prática a profissão.
sexta-feira, 23 de outubro de 2020
Falas para o cartoon (vou depositá-las aqui a partir de, digamos, domingo)
Bom dia, já recebi por mail uma das «soluçóes» para o desafio de ontem. Ponderei, e peço que não coloquem aqui no blog - enviem para mim. Eu começarei a colocar aqui nesta entrada a partir de domingo as que me forem chegando.
O motivo: não sonegar a quem ainda não fez o exercício o privilégio de desfrutar dele.
Como com um policial de que gostámos: contar o fim não é generosidade, é o oposto.
Aqui não se trata tanto de dar a resposta certa, apenas de dar espaço para pensar.
Este exercício (tal como muitos outros estupidamente simples e em forma de jogo) tem benefícios óbvios, para além daqueles que variam consoante a pessoa que somos. Exercita a adequação, o jeitinho para sermos fluidos, moldáveis, adaptáveis. Chip Kidd, na sua palestra, lembrou o que tinha aprendido numa aula de design: nunca mostrar a palavra maçã e uma foto de maçã ao mesmo tempo, porque isso é desrespeitar a inteligência do leitor - «e este merece mais».
Imaginem que estes bonecos são o livro (o miolo, o texto do autor X) e os vossos balões são a capa ou a contracapa ou (se formos mais longe) as soluções de edição do próprio texto a propor ao autor, que as aceitará ou não, consoante a relação de trabalho que tiver sido estabelecida.
Editar é um trabalho que requer forças supostamente contraditórias: ser crítico e ser criativo. Apesar de, no limite, ser sempre mais design que arte, porque a forma está sempre atenta à função.
P.S.) Agora fiquei na dúvida: «Chip Kidd, na sua palestra, lembrou» ou «Na sua palestra, Chip Kidd lembrou»?
1. João Sardo Mourão: O Duelo (23/10)
Senhor pronto para a esgrima: 'Vamos já tratar de pôr tudo no seu lugar!'
Resposta 'Não te dá mais jeito uma caneta?'
2. Joana Camões Pereira: Perdido na... Comunicação (26/10)
Índio: "Índio"? Que ricas aulas de Geografia há na tua terra...
4. Francisco M. Rúbio: S/título (26/10)
5. Miguel A. Baptista: O Delírio Português (26/10)
6. Ana Filipa Leite: Halloween e Pocahontas (explicou) (28/10)
7. Catarina Lourenço: Um Presidente Moderno (28/10)
8. Nádia Correia: Os Descobrimentos nos dias de hoje (28/10)
9. Julia Roveri: A Primeira Carteirada Ultramarina (hoje 29/10)
quinta-feira, 22 de outubro de 2020
Comer um livro
Comer um livro
Inês Carvalhal
10. O que quero ler/editar?/ 6.3. Onde pára o livro?/ 0.1. O que é editar?
Há cerca de uma semana estava a
prepara uma tarte de alho-francês assado, Feta e Dijon enquanto pensava no que
tinha para dizer sobre edição. Foi quando barrava o creme de Feta na base para
tarte previamente picada, que me apercebi de quanta comunhão cozinha —
edição/publicação existia na minha vida.
Foi na minha adolescência que comecei
um affair descomprometido com as duas: jantares com especiarias novas e
fins-de-semana em corte e colagem com fanzines punkitas.
A primeira revista que tive chamava-se
Sheena. Construíamo-la — eu e amigos — nos intervalos da escola com
uma linha editorial no limiar da homeostase. Tivemos um número dedicado à
banda-desenhada, os outros só com desenhos, colagens e textos vagamente aleatórios.
Mais tarde ingressei em projectos que
apesar de mais estruturados continuavam a carregar um relativo
descomprometimento.
Sempre cozinhei e felizmente sempre gostei de me cansar na
cozinha. Foi no início da minha vida adulta que este hobbie se revelou o
meu maior aliado, ajudando-me a pagar renda e férias não pagas.
Para lá de quaisquer casualidades,
existem, a meu ver, questões processuais bastante similares na construção de um
livro e na confecção de uma refeição: podemos seguir um plano editorial rigoroso,
com calendários quase inflexíveis, como podemos mergulhar no rigor da cozinha sous
vide; podemos fazer cozinha de fusão e publicações ambicionas; podemos
entrar num projecto editorial super experimental ou criar a refeição
mais surpreendente com os restos que temos no frigorifico; é sabido que sal e
gordura são os elementos imprescindíveis para um prato de salivar, tal como a
dose certa de suspense e de romance é igualmente saborosa.
Qualquer que seja a fórmula
escolhida, o que me continua a fascinar nas duas situações é precisamente a
variedade e flexibilidade de escolha que temos quando metemos as mãos na massa
para dar algo novo à luz do dia, para mim tendo sempre presente a definição — que
apesar não a saber, já a sabia — de punk dada na segunda aula: eu
não sei mas faço na mesma.
quinta-feira, 21 de maio de 2020
Masterclass: o convidado deixou revistas na portaria
Se puderem façam isso, assim podem colocar perguntas com mais pertinência, conhecer o que ele fazia e tirar mais proveito dessa aula magistral - geralmente são três, este ano teremos pelo menos esta.
terça-feira, 19 de maio de 2020
Aula de quarta 20 - convite
Dia 27, como confirmado, teremos uma masterclass com João Morales.
Estas são menos aulas do que os textos que vou deixando aqui no blog. Ontem pus «aula» num apenas para o sublinhar melhor. Por escrito, dou informação precisa e respondo com rigor & contenção às vossas dúvidas.
Por favor, façam uma lista de compras. Eu não posso adivinhar (sobretudo não à distância) as vossas dúvidas/interesses.
Aqui fica o convite:
Hi there,
Rui Zink is inviting you to a scheduled Zoom meeting.
Topic: Aula de Técnicas de Edição
Time: May 20, 2020 06:00 PM Lisbon
Join from PC, Mac, Linux, iOS or Android: https://videoconf-colibri.zoom.us/j/97358540096?pwd=ZllhRTBHSmxNQTdYY3d2L1NoVHRrUT09
Password: 100108
Or iPhone one-tap: 308804188,97358540096# or 308810988,97358540096#
Or Telephone:
Dial: +351 308 804 188 (Portugal Toll) or +351 308 810 988 (Portugal Toll)
Meeting ID: 973 5854 0096
International numbers available: https://videoconf-colibri.zoom.us/u/aej0RIcnf2
Or a H.323/SIP room system:
H.323: 162.255.37.11 (US West) or 162.255.36.11 (US East)
Meeting ID: 973 5854 0096
Password: 100108
SIP: 97358540096@zoomcrc.com
Password: 100108
Cinco capas boas e cinco capas más
Aqui estão as minhas escolhas para a tarefa desta semana, de onde tentei extrair o máximo possível de críticas, desde a escolha das cores ...
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Amanhã teremos o melhor e o pior de dois mundos. Sim, será interessante assistirmos à masterclass de João Tordo . Mas depois subiremos as e...
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A Renata deu-nos este perfil do João Morales , nosso convidado no dia 27. Se não acederem digam-me. Referimos Nuno Quintas e Margarida ...
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A não (edições) procura colaboração pontual para a Feira do Livro de Poesia, organizada pela Casa Fernando Pessoa, de 21 a 24 de Março. ...





