Sei que alguém já mencionou, pelo menos, uma caixa literária aqui no blogue. Contudo, gostaria de desenvolver um pouco mais este assunto.
Pode ser uma ideia que já existe há alguns anos (pelo menos, nos EUA), mas penso que ganhou fama graças à OwlCrate, uma caixa literária mensal dos EUA que pretende promover livros Young Adult, adicionando objetos relacionados com o livro escolhido para um específico mês e com livros semelhantes a essa escolha. Surgiu em 2014 e, desde então, apareceram outras caixas nos EUA e no Reino Unido, como a Book of the Month, The Bookish Box, Illumicrate, entre outras.
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| Uma das caixas mais recentes da OwlCrate. |
Estas iniciativas são muito populares nos EUA, pois não só podem ter bons artigos de merchandise e um livro a bom preço, mas também ajudam a divulgar o livro escolhido para um determinado mês e a formar clubes de leitura. Além disso, praticamente todos os clientes destas caixas adoram-nas, porque as fotografias das mesmas ajudam a embelezar as suas redes sociais dedicadas aos livros.
Um outro aspeto importante são os produtos usados. Estas caixas costumam apoiar pequenos artistas que têm como rendimentos vender objetos com referências literárias, como canecas, marcadores, sacos de pano, colares, t-shirts, velas, etc. Acabam por ser produtos muito usados pelo público-alvo destas caixas.
As editoras, ao notarem o sucesso destes projetos, já têm parcerias com essas caixas e há casos em que elas próprias criam as suas caixas para enviarem aos bloggers e aos booktubers com quem têm parcerias. Deixo aqui, como exemplo, três vídeos de caixas literárias feitas especificamente para promover a versão paperback de Três Coroas Negras, o primeiro livro de uma coleção de Fantasia de Kendare Blake. Estas caixas foram criadas pela Epic Reads, uma comunidade digital da HarperCollins. Foram enviadas para três das grandes booktubers americanas. Pode-se dizer que foi uma boa estratégia de marketing.
Em Portugal, já existem algumas caixas literárias organizadas por portugueses. Os portes das caixas dos EUA são muito caros para os leitores do nosso país (se bem que alguns já compraram essas mesmas caixas algumas vezes). As caixas portuguesas apareceram a partir dessa necessidade por parte de um público jovem que gostaria de ter as mesmas opções que os leitores jovens americanos têm.
Quanto ao mundo editorial, há há editoras a investirem neste tipo de projetos e até há uma que criou a sua própria caixa, cuja primeira caixa será enviada a partir do próximo mês.
Como a Ana Rita já publicou aqui, existe a Chave Negra, que, como está explicado no
site, é "uma caixa mistério literária mensal com um tema todos os meses. Inclui um livro e entre 6 e 8 brindes alusivos ao tema ou ao livro por apenas 25€! Todos os meses sorteamos ainda um livro extra entre os compradores da caixa!" Esta caixa tem muito impacto na comunidade portuguesa de bookstagrammers (contas de Instagram dedicadas à literatura).
Há uma outra caixa também conhecida entre os bookstagrammers, a
Ouriço Caixeiro:
"O Ouriço Caixeiro é o teu companheiro de leitura. Ele traz-te todos os meses uma caixa com tudo o que precisas para pores a leitura em dia. Dentro desta caixinha, vais encontrar não só um livro acabado de sair como também artigos e acessórios que te vão ajudar a absorveres-te na leitura de qualquer livro." Antes, era uma caixa mensal, mas anunciaram há pouco tempo que passará a ser uma caixa trimestral para melhorarem a qualidade dos produtos.
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| Caixa de dezembro da Ouriço Caixeiro. |
Relativamente às editoras portuguesas, a Topseller (chancela da 2020 Editora) tem participado muito nestas duas caixas, chegando a divulgar os temas das mesmas nas suas redes sociais. Na imagem anterior, podem ver que o livro de dezembro foi um livro publicado pela Topseller nesse mesmo mês.
Nos primeiros dias da Feira do Livro de Lisboa, a Leya divulgou a sua própria caixa literária para os mais novos. Todos os meses, os pais podem encomendar para os filhos uma caixa com dois livros infantis e alguns objetos relacionados com as histórias por apenas 9,90€, com custos dos portes incluídos. O projeto chama-se Clube de Leytura e foi lançado no dia 1 de junho (Dia da Criança). Os livros são
"cuidadosamente seleccionados por editores, escritores, ilustradores, professores e outros especialistas", tendo como base a faixa etária da criança. Pelos vistos, os subscritores podem "aceitar ou escolher outros títulos - que podem ser da Leya ou de outras editoras (informação retirada deste site).
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| A Leya divulgou imagens como esta para mostrar como serão as caixas. |
Sei que esta publicação acabou por ser longa, mas acho que este tema é interessante e costuma apenas a ser retratado segundo o ponto de vista do cliente. Neste caso, quis mostrar como as caixas literárias podem ser uma boa estratégia de marketing. Também é um exemplo de como o mundo editorial português pode adaptar, através de outros países, ideias interessantes relacionadas com o mundo dos livros.
Daniela Sampaio